PLATAFORMIZAÇÃO DA ADVOCACIA:
condições de trabalho e trajetória social de advogados uberizados
Resumo
Este artigo analisa a plataformização da advocacia a partir de entrevistas com advogados e advogadas que atuam na plataforma Jurídico Certo (JC) e de um questionário on-line respondido por 118 trabalhadores que atuam em plataformas de serviços jurídicos. Dois objetivos orientam o desenvolvimento desta pesquisa: I) compreender as relações de trabalho impostas pela Jurídico Certo e as rupturas e continuidades que o fenômeno da plataformização estabelece na advocacia; II) investigar a composição de classe da advocacia plataformizada, a partir da análise da trajetória profissional e educacional desses indivíduos. A análise da composição de classe demonstra que a maior parte desses advogados e dessas advogadas cursou faculdades particulares de baixo prestígio, conciliou a graduação com o trabalho e é a primeira pessoa da família a acessar o ensino superior. Ademais, a Jurídico Certo intensifica a precarização da advocacia, ao impor lógicas como o leilão negativo e a fragmentação do trabalho jurídico. O leilão negativo estabelece que quem cobrar menos pela demanda terá mais chances de ser contratado. Nas entrevistas, os participantes relataram receber, em média, entre 50 e 70 reais por audiência. Concluímos que a plataformização não atingiu a advocacia como um todo, mas advogados com trajetória profissional e percurso formativo bem delimitado. Assim, indivíduos com origem na classe trabalhadora buscam no diploma universitário uma forma de ascensão social, mas encontram uma advocacia precarizada e plataformizada após se formarem.
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- 12.07.2026 (3)
- 11.06.2026 (2)
- 11.06.2026 (1)
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