PERCEPÇÕES DIALETAIS DA VARIAÇÃO
A IDENTIFICAÇÃO DA ORIGEM DO FALANTE A PARTIR DO USO DO /S/ EM CODA NO PORTUGUÊS BRASILEIRO
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1983-9979.2025v20n2.74612Palavras-chave:
Percepção dialetal, /S/ em coda silábica, Variação Linguística, Dialetologia perceptual, Português brasileiroResumo
Este artigo investiga a forma como falantes de seis capitais brasileiras (Natal, João Pessoa, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre) atribuem procedência geográfica a locutores com base na escuta de enunciados contendo diferentes realizações da fricativa /S/ em coda silábica. O estudo insere-se no campo da dialetologia perceptual, que busca compreender como os falantes não especialistas percebem, categorizam e avaliam a variação linguística regional. A pesquisa partiu da hipótese de que variantes fonéticas específicas – notadamente a palatoalveolar e a alveolar – funcionariam como índices sociais, associados a determinadas regiões do Brasil. O experimento utilizou a técnica dos estímulos pareados, com controle rigoroso de variáveis fonéticas, e contou com a participação de 240 ouvintes, equilibrados por cidade, sexo e faixa etária. Os resultados indicam que as fricativas palatoalveolares tendem a ser associadas ao Rio de Janeiro e a Recife, especialmente por ouvintes do Sudeste e do Nordeste, respectivamente, enquanto a variante alveolar é mais frequentemente relacionada a São Paulo e Porto Alegre, sobretudo por ouvintes dessas próprias localidades. Esses padrões de reconhecimento reforçam o princípio da “proximidade perceptual”, segundo o qual falantes identificam com maior precisão os traços linguísticos de variedades regionalmente próximas ou culturalmente salientes. A análise dos dados sugere que a percepção interdialetal é sistemática e influenciada por fatores fonológicos, geográficos e sociais, oferecendo importantes implicações para os estudos sobre variação, identidade e estereotipia linguística no português brasileiro.





