“EM BRIGA DE MARIDO E MULHER”, METEMOS A COLHER: GUPOS TERAPÊUTICOS COM MULHERES EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE E VIOLÊNCIA DE GÊNERO

Autores

  • Denise Regina Quaresma da Silva
  • Ronalisa Torman

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.2179-7137.2018v7n3.43002

Palavras-chave:

Violência de Gênero, Direitos Humanos, Grupos Terapêuticos, Extensão Acadêmica.

Resumo

Este artigo discute questões relacionadas à violência de gênero e apresenta a proposta de intervenção de um projeto de extensão da Universidade Feevale/RS intitulado “Laços de Vida” que presta atendimento gratuito a mulheres em situação de vulnerabilidade social e que sofreram ou sofrem algum tipo de violência. O projeto objetiva promover ações preventivas de atenção à saúde mental e da expressividade humana, visando à melhoria do bem-estar destas mulheres. Neste artigo, apresentamos fragmentos de relatos dos participantes dos grupos terapêuticos, realizados ao longo do desenvolvimento do projeto, que ocorre desde o ano de 2014. Concluímos que o trabalho desenvolvido nos grupos terapêuticos empodera e fortalece psiquicamente as mulheres, para que estas, através do conhecimento e apreensão de sua história, compreendam a repetição do modelo patriarcal e possam romper com este, historicamente estabelecido, buscando auxílio jurídico nas instâncias competentes. Percebemos que o trabalho com grupos terapêuticos favorece para a produção do cuidado nestas mulheres, tais como: vínculo, acolhimento, corresponsabilização, autonomia e reconhecimento das violências sofridas, bem como dos Direitos que as protegem. Ao cuidar das mulheres, o projeto busca entender suas complexidades e subjetividades, trabalhando em sintonia com a rede de proteção as mulheres vítimas de violência de gênero existentes nos municípios que atende.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Denise Regina Quaresma da Silva

Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq - Nível 2 - CA ED - Educação. Pós-Doutora em Estudos de Gênero pela UCES (2011), Doutora (2007) e Mestre (2003) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Psicóloga. É professora Titular e pesquisadora da Universidade FEEVALE no Programa de Pós-Graduação em Diversidade Cultural e Inclusão Social. Colaboradora do Projeto de Extensão, Laços de Vida http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4772827H9

Ronalisa Torman

Mestrado em Ciências Sociais Aplicadas pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (2006), graduação em Psicologia pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (1991), Especialização em Psicopedagogia (2003), Docente e Supervisora Clínica do Curso de Psicologia da Universidade Feevale. Coordenadora do Projeto de Extensão, Laços de Vida. http://lattes.cnpq.br/5189666043190057

Referências

Alves, José Eustáquio Diniz; Cavenaghi, Suzana Marta. (2000). Dominação Masculina e Discurso Sexista. Informandes, Brasília, p. 11-11.

Alves, José Eustáquio Diniz. (2001). O Discurso da Dominação Masculina. XXIV General Population Conference - IUSSP, Salvador.

Almeida, Suely Souza de. (2007). Essa violência maldita. In: Almeida, Suely Souza de (Org.). Violência de gênero e políticas públicas. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, p. 23-41.

Arendt, Hannah. (2015). A Condição Humana. 12. ed. rev. Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Cardoso, C.; Seminotti, N. (2006). O grupo psicoterapêutico no Caps. Cienc. Saude Colet., v.11, n.3, p.775-83.

Contel, J. O. B.; Villas-Boas, M. A. (1999). Psicoterapia de grupo de apoio multifamiliar (PGA) em hospital-dia (HD) psiquiátrico. Rev. Bras. Psiquiatr., v.21, n.4, p.225-30.

Brasil. (2015) Senado Federal. Secretaria da Transparência. Violência doméstica e familiar contra a mulher. Brasília: Senado Federal, 2015. 81 p. Consultado a 08/09/2017, em https://www12.senado.leg.br/institucional/datasenado/arquivos/ brasileiras-sabem-da-lei-maria-da-penha-mas-a-violencia-domestica-e-familiar-contra-as-mulheres-persiste.

Silva Doliveira, Mariane Camargo; Quaresma Da, Denise. (2015). Entrelaçando práticas identitárias, gênero e políticas públicas: a matriz contemporânea da cidadania feminina. Consultado a 15/08/2017, em <https://www.unicruz.edu.br/seminario/anais /XX/III%20Simposio%20de%20Praticas%20Socioculturais/ENTRELACANDO%20 PRATICAS%20IDENTITARIAS%2C%20GENERO%20E%20POLITICAS%20PUBLICAS.

Elshtain, Jean Bethke. (1974). Moral Woman/Immoral Man: The Public/Private Distinction and its Political Ramifications. Politics and Society, v. 4, n. 4, p. 453-473.

Guanaes, C.; Japur, M. (2005). Sentidos de doença mental em um grupo terapêutico e suas implicações. Psicol.: Teor. Pesqui., v.21, n. 2, p.227-35.

Guimarães, M. C.; Pedroza, R. L. S. (2015). Violência contra a mulher: problematizando definições teóricas, filosóficas e jurídicas. Psicologia & Sociedade, 27(2). Consultado a 10/08/2017, em http://www.scielo.br/pdf/psoc/v27n2/1807-0310-psoc-27-02-00256.pdf.

Instituto Avon. (2013). Instituto Avon/Data Popular. Instituto Patrícia Galvão. Consultado a 15/08/2017, em <http://www.compromissoeatitude.org.br/wp-content/uploads/2013/12/folderpesquisa _instituto22x44_5.pdf>.

Organização das Nações Unidas – ONU. (2000). Resolução 1325/2000. Consultado a 15/08/2017, em <http://www.igualdade.gov.pt/images/stories/Area_Internacional/ONU /resolucao%201325%20portugues.pdf>.

Lipovetsky, Gilles. (2009). A Terceira Mulher: permanência e revolução do feminino. São Paulo: Instituto Piaget. (Coleção Epistemologia e Sociedade).

Macêdo, Marcia dos Santos. (2012) Mulheres chefes de família e feminização da pobreza: uma contribuição crítica dos estudos feministas e de gênero. Congresso Internacional Interdisciplinar em Sociais e Humanidades. Niterói RJ: ANINTER-SH/ PPGSD-UFF. Consultado a 10/08/2017, em <http://www.aninter.com.br/anais% 20i%20coniter/gt16% 20estudos%20de%20g%eanero,%20feminismo%20e%20sexualidades/mulheres%20chefes%20de%20fam%cdlia%20e%20feminiza%c7%c3o%20da%20pobreza%20uma%20contribui%c7%c3o%20cr%cdtica%20dos%20estudos%20feministas%20e%20de%20g%canero%20-%20trabalho%20completo.pdf>.

Mendonça, T.C.P. (2005). As oficinas na saúde mental: relato de uma experiência na internação. Psicol. Cienc. Prof., v.25, n.4, p.626-35.

Miguel, Luis Felipe; Biroli, Flávia (Orgs.). (2013). Teoria política feminista: textos centrais. Vinhedo: Horizonte; Niterói: Eduff.

Miller, Mary Susan. (1999). Feridas invisíveis: abuso não-físico contra mulheres. Tradução Denise Maria Bolanho. São Paulo: Summus.

Morgado, R. (2005). Mulheres em situação de violência doméstica: limites e possibilidades de enfrentamento. In: Psicologia Jurídica no Brasil. Rio de Janeiro: NAU.

Nações Unidas. (2015). Transformando Nosso Mundo: A agenda 2013 para o desenvolvimento sustentável. Consultado a 13/08/2017, em <http://www.br.undp.org/content/dam/brazil/docs/agenda2030/undp-br-Agenda2030-completo-pt-br-2016.pdf>.

Okin, Susan Moller. (2008). Gênero, o Público e o Privado. Revista Estudos Feministas. Florianópolis: UFSC, v. 16, n. 2, p. 305-332.

Pateman, Carole. (1993). O Contrato Sexual. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

Perrot, Michelle. (2005). Mulheres Públicas. As Mulheres ou os Silêncios da História. São Paulo: EDUSC.

Perrot, Michelle. (1998). Mulheres Públicas. São Paulo: UNESP. (Prismas).

Pichon-Rivière, E. (2005). O processo grupal. São Paulo: Martins Fontes.

Saffioti, Heleieth Iara Bongiovani. (1999). Primórdios do Conceito de Gênero. Cadernos Pagu, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), v. 12, p. 157-163.

Strey, Marlene Neves. (2012). Violência e gênero: um casamento que tem tudo para dar certo. In: GROSSI, Patrícia K. (Org.). Violências e gênero: coisas que a gente não gostaria de saber. 2. ed. Porto Alegre: EDIPUCRS. p. 51-72.

Strey, Marlene Neves. (2015). Efeitos da culpa na subjetividade. In.: Dicionário feminino da infâmia: acolhimento e diagnóstico de mulheres em situação de violência. Rio de Janeiro: Fiocruz.

Walker, Leonore E. (2010). The cycle of violence. Consultado a 09/09/2016, em <http://www.1736familycrisiscenter.org/pdf/Cycle of Violence_v3.pdf>.

Wink, Gustavo Espíndola; Strey, Marlene Neves. (2008). A voz mais alta, mas na hora certa: a naturalização da violência de gênero enquanto recurso legitimado ao homem. Artemis, João Pessoa, v. 10, n. 1, p.113-133. Consultado a 16/04/2015, em http://periodicos.ufpb.br/index.php/artemis/article/viewFile/11815/6870.

Publicado

2018-11-18

Como Citar

SILVA, D. R. Q. da; TORMAN, R. “EM BRIGA DE MARIDO E MULHER”, METEMOS A COLHER: GUPOS TERAPÊUTICOS COM MULHERES EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE E VIOLÊNCIA DE GÊNERO. Gênero &amp; Direito, [S. l.], v. 7, n. 3, 2018. DOI: 10.22478/ufpb.2179-7137.2018v7n3.43002. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/ged/article/view/43002. Acesso em: 25 fev. 2024.

Edição

Seção

Educação, Gênero & Direitos Humanos (Edição Especial)