HOMOTRANSFOBIA: UM HORROR QUE NÃO CHOCA A SOCIEDADE BRASILEIRA

Autores

  • Márcio José Testolin Universidade Feevale
  • Margarete Fagundes Nunes Universidade Feevale
  • Gustavo Roese Sanfelice Universidade Feevale

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.2179-7137.2019v8n1.45591

Palavras-chave:

Diversidade Sexual. Gênero. Homotransfobia. Sexualidade. Direitos humanos

Resumo

Este artigo tem como objetivo discutir, sob a perspectiva da diversidade e dos direitos humanos, a desvalorização da vida humana pela sustentação da homotransfobia na sociedade brasileira. Trata-se de um estudo bibliográfico que tem como base a discussão do conceito de horror trágico aplicado à reflexão dos direitos humanos. A experiência do horror trágico, que poderia chocar os indivíduos e os grupos e lhes estimular possíveis rupturas com seus códigos morais, quando vivenciada e associada à população LGBT+, não é capaz de romper com a tradição homotransfóbica. Utilizamos como dados secundários o relatório elaborado pelo Grupo Gay da Bahia (2018) e, principalmente, o caso de assassinato da travesti Dandara, sendo estes exemplos de horrores trágicos contra as pessoas LGBT+. Discutimos a construção da subjetividade masculina através de um processo heteronormativo, assim como, o atual cenário brasileiro, onde movimentos políticos, religiosos e conservadores atuam em defesa da manutenção deste contexto homotransfóbico para tentarmos compreender esta indiferença da sociedade para com as necessidades da população LGBT+.

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Biografia do Autor

Márcio José Testolin, Universidade Feevale

Mestrando em Diversidade Cultural e Inclusão Social, graduado em Educação Física - Licenciatura pela Universidade Feevale, RS. Atuou como bolsista de iniciação científica vinculado ao grupo de pesquisa Corpo, Movimento e Saúde desde maio de 2015. Participa como membro da equipe do projeto Relações de Gênero na escola: Um estudo sobre as regiões de alto índice de violência contra as mulheres no município de Novo Hamburgo.

Margarete Fagundes Nunes, Universidade Feevale

Doutora em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (2009). É do corpo docente permanente do Programa em Diversidade Cultural e Inclusão Social e do Mestrado profissional em Indústria Criativa, ambos da Universidade Feevale/RS. Integra os Grupos de Pesquisa: Metropolização e Desenvolvimento Regional e Ambiente e Sociedade. É pesquisadora associada ao Núcleo de Antropologia Visual da UFSC. Realizou pesquisa de campo no Vale do Rio dos Sinos/RS, por meio do projeto de Doutoramento (UFSC-Feevale) para a tese O negro no mundo alemão: cidade, memória e ações afirmativas no tempo da globalização. Atualmente é líder do projeto de pesquisa: Etnografia Visual dos Curtumes do Vale do Rio dos Sinos/RS: memória do trabalho e memória ambiental. É associada efetiva da Associação Brasileira de Antropologia. Atua principalmente com os seguintes temas: antropologia urbana, cidade, memória, relações étnico-raciais, direitos humanos e globalização cultural. Realizou estágio de Pós-doutorado em Antropologia Social na Free University of Amsterdam (VU Universiteit/2014), por meio do Programa CAPES/NUFFIC, de julho de 2013 a janeiro de 2014.

Gustavo Roese Sanfelice, Universidade Feevale

Possui graduação em Educação Física Licenciatura Plena pela Universidade Federal de Santa Maria (2001); mestrado em Ciência do Movimento Humano pela Universidade Federal de Santa Maria (2002) e doutorado em Ciências da Comunicação/Universidade do Vale do Rio dos Sinos/UNISINOS (2007) . Atualmente é professor Titular da Universidade Feevale. Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Sociologia do Esporte e no estudo de diferentes mídias. É membro do comitê científico do Grupo de Trabalho Temático Comunicação e Mídia do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte, desde 2003. Estuda diferentes mídias desde 1998. É editor chefe da Revista Conhecimento Online. Professor e orientador do Programa de Pós-Graduação em Diversidade Cultural e Inclusão Social/Feevale

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Publicado

2019-04-25

Como Citar

TESTOLIN, M. J.; NUNES, M. F.; SANFELICE, G. R. HOMOTRANSFOBIA: UM HORROR QUE NÃO CHOCA A SOCIEDADE BRASILEIRA. Gênero & Direito, [S. l.], v. 8, n. 1, 2019. DOI: 10.22478/ufpb.2179-7137.2019v8n1.45591. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/ged/article/view/45591. Acesso em: 16 out. 2021.

Edição

Seção

Direitos Homoafetivos, lutas LGBTI e teoria queer