Chamada - Dossiê Territórios para consciência: lugares de memória, políticas de (des)esquecimento e Estado

2026-07-19

A questão da memória da última ditadura instalada no Brasil (1964-1985) ganhou novo fôlego ainda no governo Dilma Rousseff (2011-2016). Ativamente, houve participação e atuação de setores organizados em defesa da contundência da recém instalada Comissão Nacional da Verdade (2011-2014), assim como de resistência em relação a essas mesmas atividades – com destaque aos setores associados às Forças Armadas do Brasil, como o caso do, à época, deputado Jair Messias Bolsonaro. Ao menos desde essa renovação do debate acerca do período ditatorial mais recente, a questão da memória é posta em termos de uma inegociável problemática a ser tratada em termos de política de Estado, uma necessidade para consolidação dos termos de uma democracia efetiva e realmente resolvida quanto às dívidas estatais com o povo brasileiro.

A presente proposta surge ao fim de uma etapa de pesquisa realizada pelo Memorial da Democracia da Paraíba entre os anos de 2025 e 2026. A experiência do projeto Por uma cartografia dos lugares de consciência da Paraíba:  trajetos do patrimônio cultural por meio da memória das violações de direitos humanos e da resistência expôs uma variedade de dinâmicas de preservação, sobreposição e esquecimento de memórias. Desde a centralidade de relatos e experiências coletivas de grupos específicos, com acesso a recursos políticos e econômicos, assim como da resistência marginal de modelos de relações sociais que preservam a memória coletiva como cerne da existência do grupo em termos transgeracionais. Ao mesmo tempo, pôs-se evidente a necessidade de atribuir o devido destaque ao Estado como fator incontornável da (im)possibilidade de existência de qualquer que seja a política comum em vigor, seja ela de esquecimento ou não.

Assim sendo, este dossiê tem por intuito imediato recuperar e ampliar elementos do debate acerca da memória social, em suas variadas modalidades, considerando-a em sentido amplo – política, institucional, cultural, histórica etc. –, a fim de escapar dos limites de um debate nucleado em torno de grupos exclusivamente urbanos e de classe média na constituição de uma crítica da memória oficial e/ou oficiosa. Para isso, é importante destacarmos o interesse em artigos que versem sobre: [1] experiência em políticas de memória (Estado, comissões, redes, sociedade civil etc.); [2] processos de patrimonialização e os problemas da musealização; [3] arquivos e acervos públicos e comunitários na promoção de conhecimento; [4] disputas por memória, instituições e legislação; [5] temas e discussões teóricas sobre memória, verdade, justiça e reparação.

Referências

CANDAU. Joël. Antropología de la memoria. Buenos Aires: Nueva Visión, 2002.

CANDAU, Joël. Memória e identidade. São Paulo: Contexto, 2014.

POLLAK, Michael. Memória e identidade social. Revista Estudos Históricos, v. 5, n. 10, p. 200-215, 1992.

POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. Revista Estudos Históricos, v. 2, n. 3, p. 3-15, 1989.

SANTOS, Myrian Sepúlveda dos. Sobre a autonomia das novas identidades coletivas: alguns problemas teóricos. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 13, n. 38, p. 151-165, 1998.

SANTOS, Myrian Sepúlveda. Memória coletiva e teoria social. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra; São Paulo: Annablume, 2012.

TELES, Janaína de Almeida. Ditadura e repressão: locais de recordação e memória social na cidade de São Paulo. Lua Nova, n. 96, p. 191-220, 2015.

Organizadores:

Dra. Fernanda Rocha (MDPB/FCJA)
Ma. Suelen Andrade (MDPB/FCJA)
Me. Esdras Bezerra F. de Araújo (DCS/UFPB)

PRAZO PARA SUBMISSÕES: 10/12/2026