FILHOS DE MEDEIA
Resumo
O ensaio argumenta sobre o modo como nossa civilização representa o filicídio cometido por Medeia, tanto em relação à idealização materna, quanto à partilha de um espaço político. Propõe-se analisar o que foi silenciado ao se atribuir à ambiguidade materna um estado escandaloso de excessão. Encenar a negatividade materna como um escândalo é eliminar, do campo simbólico, o real da potência destrutiva feminina. Além disso, a dobra do escândalo no espaço público mascara a Lei patriarcal que impôs, como realidade, a idealização virtuosa da maternidade, atribuindo aos corpos das mulheres um papel funcional: cuidar e servir. Em continuidade, buscou-se desenvolver a ideia de um agrupamento político e estético para a imagem “filhos de Medeia”, visualizando tal perspectiva na encenação do texto homônimo: “Filhos de Medeia”.
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