Textos NDIHR Número 32 (2024)
O presente texto trata de algumas práticas de dominação exercida nos campos político e econômico por famílias políticas detentoras de grandes faixas de terras no município de Alagoa Grande-PB e região, especificamente nas áreas exploradas pelas usinas de cana-de-açúcar, durante a ditadura civil-militar (1964-1985). Para entendermos como se davam as práticas de dominação buscamos discutir como os discursos eram fabricados/produzidos e institucionalizados para justificar o estabelecimento de um estado de exceção que permitisse aos senhores de terra e de usinas a manutenção da expropriação da terra e da exploração trabalhista no campo. Para tanto, se buscou criminalizar os movimentos de resistência da classe trabalhadora rural. A performance desses discursos se inscrevem dentro do contexto da Guerra Fria e tentam reafirmar a política ocidental a serviço do Capital. Fundamentado no pensamento do francês Pierre Bourdieu, objetivamos compreender como a classe dominante agrária detinha capitais econômico, politico, social e cultural, identificando algumas famílias políticas que se mantiveram no poder, ocupando os mais altos cargos e os melhores salários por mais de um século.