QUANDO A COMIDA COME O SUJEITO: atravessamentos nas práticas alimentares dos povos Karajá- Aruanã-GO

  • Thiago Sebastiano de Melo Universidade de Brasília
  • Eguimar Felício Chaveiro Universidade Federal de Jataí

Resumo

As (r)existências indígenas representam ao mesmo tempo o meio e o fim da conservação da sociobiodiversidade. Seus territórios e suas territorialidades efetivam uma cosmovisão que objetivamente constroem práticas muito mais condizentes com esta sociobiodiversidade do que a modernização dos territórios, mesmo em suas feições mais “sustentáveis”. Os povos Karajá-Aruanã-Go, situados a noroeste de Goiás, têm sido alvos de sequentes - e consequentes - ataques históricos. Especialmente depois de 1970, a transformação da planície fluvial do Araguaia em território de grandes fazendas de gado e a implementação do turismo nas praias do rio, juntando-se à fragmentação de seus lugares de vida, geraram uma forte pressão nas suas terras, na sua cultura, no seu modo de vida e em seu corpo. Essa pressão tem se efetivado a partir do desmatamento destinando a terra às pastagens; pela construção de clubes, condomínios e pousadas às margens do rio nos limítrofes urbanos; pelo uso intenso e predatório das praias; pelos efeitos catastróficos implementados pelo turismo de sol e praia na fauna do rio e, especialmente, pela redução da biodiversidade. As pesquisas realizadas pelo subprojeto BIOTEK (Biodiversidade e biotecnologia do Cerrado goiano) e desenvolvida em torno do projeto “Desenvolvimento territorial e Sociobiodiversidade: perspectiva para o mundo do Cerrado” - CAPES - demonstram os efeitos na sociobiodiversidade da seguinte maneira: de um lado há um contínuo processo de erosão genética; de outro, a invasão da cidade nas aldeias modifica a língua, os costumes e gostos da juventude; o regime de crença; a ligação com a ancestralidade e a alimentação dos povos Karajá.
Publicado
2020-07-12
Seção
Artigos