ANÁLISE ESPAÇO-TEMPORAL DOS FOCOS DE INCÊNDIOS E SEU EFEITO NAS QUEIMADAS NO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1982-3878.2025v19n2.72370Resumo
No semiárido a combinação da sazonalidade das chuvas e a estratégia de caducifólia da vegetação de caatinga criam condições para a ocorrência de incêndios florestais, particularmente no período anual de estiagem, e que se agrava nos longos períodos de seca periódicas. Assim, pautado nas condições climáticas semiáridas no Rio Grande do Norte, em particular do Oeste Potiguar, e das peculiaridades da vegetação de caatinga, principalmente em período de estiagem, é que se justifica a realização de estudos sobre a ocorrência histórica de incêndios florestais no estado e sobre a capacidade de recuperação da vegetação de caatinga no Oeste Potiguar. As queimadas podem ser detectadas por dados obtidos por satélites, como focos de calor sobre a superfície terrestre. Além disso, as áreas que foram afetadas apresentam resposta espectral específica que pode ser monitorada por dados de sensoriamento remoto. Assim, o presente projeto teve como objetivo realizar uma análise da série temporal e espacial histórica dos focos de incêndios no Rio Grande do Norte, assim como analisar a recuperação da vegetação de caatinga aos efeitos das queimadas no Oeste Potiguar por meio de Índices de queimada (NBR e ΔNBR) e Índice de Vegetação Ajustado ao Solo (SAVI), aplicados em ambiente de Sistema de Informação Geográfica (SIG). Foi analisada a série temporal e espacial dos focos de incêndios no Rio Grande do Norte do banco de dados do Programa Queimadas (INPE) e do Global Forest Watch (GFW), referente aos períodos: 1998-2021 do INPE e 2012-2021 do GFW. Foram usadas imagens do satélite SENTINEL-2A (S2-MSI) para a aplicação dos índices NBR e ΔNBR, para áreas dos focos de incêndio (entre parênteses a data dos incêndios de grandes proporções): Apodi (04/01/2021), Alexandria (23/09/2020) e Patu (19/09/2019). As imagens correspondem a datas logo após os incêndios e um ano depois dos eventos. As áreas de maior concentração de focos de incêndios são o Oeste Potiguar e o Litoral Oriental, com maior frequência de agosto a janeiro, período de estiagem sazonal no semiárido potiguar, destacando-se, de 2018 a 2021, os municípios de Mossoró, Serra do Mel e Pau dos Ferros, principalmente em áreas agrícolas. As áreas dos incêndios de maior severidade foram de 781 ha em Apodi, 120 ha em Alexandria e 141 ha em Patu. As áreas do incêndio que apresentaram recuperação (baixa e alta), após um ano, correspondem a 46,22% em Apodi, 66,89% em Alexandria e 86,51% em Patu, sendo neste último município que a vegetação mostrou alta taxa de recuperação. Assim, infere-se que a recuperação da caatinga a um incêndio de grandes proporções apresenta uma recuperação, desde que não haja novas perturbações na área. As queimadas e incêndios florestais, no Rio Grande do Norte, têm forte ligação com as atividades antrópicas, já que a concentração de focos de incêndios se apresenta em regiões do Estado com tradição em atividades agrícolas, como é o caso do Oeste Potiguar e/ou de densa ocupação humana, com avanço dos empreendimentos imobiliários e da indústria canavieira, como no litoral oriental, na região de Natal.


