UMA ANÁLISE DA CULTURA DO CANCELAMENTO SOB A ÓTICA DA POLÍTICA LINGUÍSTICA
Palavras-chave:
Cultura do cancelamento. Instagram. Paisagem Linguística. Política Linguística.Resumo
Dentre os diversos objetos de estudo de políticas linguísticas, a paisagem linguística é uma delas. Com o surgimento das redes sociais, a elaboração e divulgação de conteúdos passou das mãos dos profissionais da comunicação para as mãos de pessoas leigas. Nesse cenário, nosso objeto de investigação centra-se em comentários de cancelamento postados no Instagram com a finalidade de investigar como se delineia a paisagem linguística provocada por esse tipo de discurso, caracterizando as escolhas linguísticas utilizadas pelos internautas. A cultura do cancelamento corresponde a uma espécie de linchamento virtual por um grupo de pessoas, dirigido, geralmente, a instituições/personalidades famosas que tenham tomado um posicionamento, considerado errado pelos internautas, sobre algum assunto polêmico. Para atingirmos o objetivo proposto, recorremos à noção de paisagem linguística desenvolvida por Shohamy (2006) no que diz respeito à compreensão da linguagem usada na internet como um mecanismo de política linguística, bem como à visão de Spolsky (2009) acerca do uso da linguagem no espaço público como um domínio. Caracterizamos esta pesquisa como qualitativa e de caráter interpretativista, com base em Minayo (2016) e Lin (2015), respectivamente. O corpus desta pesquisa corresponde a comentários de cancelamento motivados por três diferentes eventos repercutidos no Instagram, sendo observadas as escolhas linguísticas utilizadas para cancelar. Quanto à análise do corpus, os resultados parciais indicam que os efeitos da cultura do cancelamento nas postagens analisadas são, em geral, efetivados através de um discurso de ódio materializado por expressões chulas e palavras ofensivas cujo propósito remete à censura, perseguição e quase que um cerceamento da liberdade, uma interdição do dizer.





