CHAMADA DE ARTIGOS PARA DOSSIÊ TEMÁTICO
Qual o alcance de uma Educação em e para os Direitos Humanos (EDH)? Como ela pode, em suas práticas, políticas públicas e reflexões teóricas, fundamentar mudanças em nossa sociedade estruturalmente tão díspar e avessa à valorização das diferenças na superação de desigualdades, exclusões e ataques à democracia? Uma importante pista para responder a essas inquietações encontra-se na perspectiva da análise dos fenômenos socioculturais e educativos com a ferramenta epistêmico-metodológica da interseccionalidade – contribuição original da jurista negra estadunidense Kimberlé Crenshaw. Ao comentar o conceito, Bruna Pereira (2021, p.447) destaca: “as experiências sociais de sujeitos e de coletividades marginalizados (e, a meu ver, também as dos que dispõem de privilégios relativos) seriam sempre multidimensionais”.
É, portanto, essa multidimensionalidade dos fenômenos sociais, econômicos e culturais que investigações, práticas e políticas públicas em torno da EDH precisam ajudar a detectar e superar. Dimensões identitárias e epistêmicas como raça e etnia, gênero e sexualidades, classe e pensamento decolonial caracterizam esse campo múltiplo em que a EDH se renova e se fortalece.
Assim, neste segundo número, a Sudamerica pretende oferecer um dossiê em que artigos voltados para uma educação crítica e engajada articulem-se em torno de análises interseccionais que convirjam para esse campo das relações entre educar e promover direitos humanos, em meio aos paradoxos da contemporaneidade.
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