OS AGENTES NÃO EUROPEUS NA COMUNIDADE MERCANTIL DE BENGUELA, c. 1760-1820

Autores

  • Mariana P. Candido

Resumo

Benguela foi o terceiro maior porto quanto ao tráfico negreiro na costa africana. De lá mais de 750.000 africanos foram exportados para as Américas. O montante e a importância deste comércio atraíram comerciantes do interior de Benguela, assim como de outros portos atlânticos como Rio de Janeiro, Salvador, Lisboa, Luanda, Cacheu e Ouidah. Este trabalho explora a presença de comerciantes de diferentes origens em Benguela, com foco particular sobre aqueles vindos de outros portos africanos. Por meio da análise de listas nominais, petições oficiais e casos judiciais, assim como de registros de batismos, casamentos e óbitos, são analisadas as estratégias utilizadas por tais indivíduos em Benguela para garantir sua participação neste comércio. Muitos deles casaram-se com nativas ricas, filhas das elites policiais e comerciais. Por meio destes casamentos é analisada a associação de comerciantes estrangeiros e locais, dentre outras intrincadas relações da comunidade comercial atlântica de Benguela. Nesse sentido, esta abordagem contribui para a compreensão da formação do complexo cenário comercial do Atlântico sul, enfatizando suas conexões bilaterais, tão significativas quanto aquelas do comércio triangular característico do Atlântico norte. Se destacam também, nesta análise, o papel destes comerciantes africanos na formatação de redes comerciais, bem como no transporte de mercadorias e escravos importados dos mercados do interior para os portos litorâneos da África ocidental.

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Publicado

2013-12-31

Como Citar

CANDIDO, M. P. OS AGENTES NÃO EUROPEUS NA COMUNIDADE MERCANTIL DE BENGUELA, c. 1760-1820. Sæculum – Revista de História, [S. l.], n. 29, 2013. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/srh/article/view/19811. Acesso em: 19 jan. 2022.

Edição

Seção

Dossiê História e História Econômica