Os problemas com a crítica de Markus Gabriel ao naturalismo e fisicalismo
DOI:
https://doi.org/10.18012/arf.v13i1.74637Palavras-chave:
Markus Gabriel, Ontologia, naturalismo, novo realismoResumo
Este artigo analisa criticamente os argumentos de Markus Gabriel contra o naturalismo e o fisicalismo, sustentando que sua crítica se baseia em uma caracterização equivocada e redutora de suas posições-alvo. Primeiramente, examina-se o argumento central de Gabriel para a inexistência do mundo, que postula que o conceito de uma totalidade onicompreensiva leva a paradoxos de autorreferência. Em seguida, o artigo mostra que a ofensiva de Gabriel contra o fisicalismo se concentra quase exclusivamente em uma versão do fisicalismo de identidade de tipos, ignorando as formulações mais robustas e dominantes, como o fisicalismo de superveniência, de realização ou de fundamento (grounding), que possuem mais resistência a muitas de suas objeções. Argumenta-se que Gabriel infere ilegitimamente a impossibilidade de hierarquias ontológicas a partir da tese lógico-semântica kantiano-fregeana de que a existência não é um predicado de primeira ordem. Não obstante, defende-se Gabriel de criticas que o reduzem a um obscurantista ou negacionista científico e em contrapartida, e argumenta-se, brevemente, que um naturalismo não-reducionista é não apenas defensável, mas pressuposto metafísico para a prática científica, evitando tanto as críticas de Gabriel quanto as armadilhas de um cientificismo ingênuo.
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