A CULTURA EM PAULICÉIA DESVAIRADA

  • Raniere Marques

Resumo

Este trabalho tem como corpus os poemas Paisagem nº 1,2,presentes no livro “Paulicéia Desvairada” de Mário de Andrade, estes descrevem a cidade de São Paulo sob o ponto de vista do eu lírico, transeunte crítico que presencia o cosmopolitismo por que passa a capital paulista . Sendo nossa categoria analítica principal a “Cultura”. Através da análise dos poemas tentaremos observar como o “flaneur”, observado por Walter Benjamin na figura de Charles Baudelaire da Paris do século XIX, sendo este um praticante da flanerie, atividade de passear e olhar, e que ganhou fundamental importância no estudo da modernidade, aos poucos se mistura com a figura do Arlequim, personagem da Commedia dell'Arte que foi disseminado no Brasil principalmente através dos blocos carnavalescos de rua. Observaremos os movimentos do eu lírico em direção a uma crítica disfarçada de ironia direcionada as transformações violentas que passa Sao Paulo, nunha espécie de “tática”, de micro e multifacetados modos de negação, no sentido exposto por Michel de Certau em seu livro “A invenção do Cotidiano 1– Artes de fazer”. Nossas análises situarão o seu corpus no movimento modernista e na busta de uma identidade nacional, no cosmopolitismo estético e no cosmopolitismo social, que levava São Paulo a ser “muitas”, assim como as culturas pós-coloniais estudadas por Homi Bhabha em seu livro: “O Local da cultura”. Nossos questionamentos passarão então pela reconstrução poética da cidade de São de Paulo, feita por este flaneur-arlequin, e procuraremos mostrar, sempre que possível, como certos elementos internos que estruturam os poema revelariam os aspectos sociais e culturais proposto por este trabalho, como a técnica da mímica e da alegoria. Palavras-chave: Cultura, Paulicéia desvairada, identidade.

Biografia do Autor

Raniere Marques
Aluno de Mestrado do PPGL-UFPB
Publicado
2017-01-16
Seção
Artigos