Deus e o nada

a natureza criadora em Hilda Hilst e Clarice Lispector

Autores

  • Merissa Ferreira Ribeiro Universidade Federal do Pará - UFPA
  • Prof. Dr. Antonio Máximo Ferraz

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.2237-0900.2020v16n2.55983

Resumo

O presente artigo tem como objetivo apresentar como a figura de Deus manifesta a natureza (physis) em “Perdoando Deus”, de Clarice Lispector, e nos versos de “Poemas Malditos Gozosos e Devotos”, de Hilda Hilst. Os dois escritos dialogam ao subverterem a palavra em seu sentido funcional, trivial, o qual não permite a instauração do Nada – termo tão caro às obras destas autoras. O Nada, tanto em Clarice quanto em Hilda, não tem a ver com niilismo, ao contrário: diz sobre o ato criador, que só vem à luz quando se abre um espaço (vazio) capaz de recolocar a linguagem em seu silêncio. É por este motivo que a figura de Deus se faz presente nos dois textos sobre os quais explanaremos, evocando a plenitude do ato criativo, que só é possível quando o Nada está em cena. Deus é este ser que cria e destrói, mas tal destruição também é criadora, pois abriga possibilidades. Utilizamos, para discorrer sobre tais aspectos, o método hermenêutico, que desemboca em um movimento cíclico o qual permite ao intérprete, ao questionar a obra, também se perceber, ele próprio, como questão. Para dialogar com as obras explanadas, consideramos os apontamentos de Martin Heidegger acerca da verdade.

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Publicado

2020-11-25

Como Citar

Ribeiro, M. F., & Ferraz, A. M. von S. G. (2020). Deus e o nada: a natureza criadora em Hilda Hilst e Clarice Lispector. DLCV - Língua, Linguística &Amp; Literatura, 16(2), e020009. https://doi.org/10.22478/ufpb.2237-0900.2020v16n2.55983

Edição

Seção

Dossiê: Clarice & Hilda: da exaustão da palavra à efervescência do desejo