Vivências de práticas letradas na universidade

Análise da interdição simbólica dos letramentos em perspectiva interseccional

Autores

  • Sônia Virginia Martins Pereira UFPE
  • Júlio César Rosa de Araújo Universidade Federal do Ceará

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.1517-3100.2026v1n1.76785

Palavras-chave:

Letramentos acadêmicos; Ações afirmativas; Interseccionalidade; Identidade acadêmica.

Resumo

Este estudo, recorte de pesquisa ampla, investiga interdições simbólicas dos letramentos na Universidade centrando-se nas vivências de estudantes de Letras, em sua formação identitária acadêmica. Relaciona-se sistemas simbólicos de opressão, presentes na construção dos letramentos, a marcadores de raça, classe e gênero discutindo-se o entrecruzamento dessas dimensões nas práticas letradas de estudantes beneficiários de políticas afirmativas. O trabalho ancora-se nos estudos dos letramentos sociais e acadêmicos, nas reflexões de Bourdieu, na noção de esferas e heterodiscurso do Círculo Russo e na teoria da interseccionalidade, de Collins. O estudo de caso baseou a pesquisa desenvolvida, da qual se extraiu a entrevista de um estudante e seu relato pessoal relacionado às lacunas na sua formação acadêmica. Assinala-se a persistência de interdições simbólicas na trajetória formativa de estudantes assistidos por políticas afirmativas, em sua maioria, pertencentes a grupos socialmente desfavorecidos. Persiste a homogeneização dos letramentos como (in)capacidades individuais, o que negligencia fatores estruturais e históricos. Revela-se autocobrança, culpa, não pertencimento e solidão no percurso acadêmico do estudante, pela ausência de redes de apoio internas e externas à Universidade. Reforça-se a necessidade de revisão da concepção hegemônica de letramento na academia, no acolhimento de letramentos plurais, em uma Universidade que fomente essa pluralidade.

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Publicado

2026-03-19

Edição

Seção

Artigos