Descolonizando o gênero no candomblé

tensão entre cosmogonias africanas e normas coloniais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.1982-6605.2025v22n1.74591

Resumo

Este artigo analisa a performatividade de gênero no Candomblé, explorando as tensões entre sua cosmologia afro-brasileira e a imposição colonial do binarismo de gênero. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, fundamentada na revisão bibliográfica, na análise de narrativas míticas e na Análise de Conteúdo de Bardin (2011). Os referenciais teóricos incluem Oyẹrónkẹ Oyẹ̣wùmí (2021), que questiona a construção colonial do gênero na África, e Paul Preciado (2020), que discute os dispositivos de controle biopolítico sobre os corpos. Os resultados revelam três tendências principais: (1) a persistência de normas coloniais que impõem uma divisão rígida entre masculino e feminino nos terreiros; (2) a presença de mitos e cosmologias que oferecem alternativas fluidas para o gênero; e (3) a tensão entre tradição e transformação, na qual algumas lideranças promovem mudanças que podem ser graduais ou imediatas. No entanto, os mitos do Candomblé não sustentam a segregação colonial de gênero; pelo contrário, suas narrativas reforçam a fluidez como elemento central da cosmologia afro-brasileira. Conclui-se que, para que o Candomblé se torne um espaço verdadeiramente decolonial, é necessário que as lideranças religiosas questionem as normas binárias herdadas do colonialismo, promovendo uma prática mais inclusiva e condizente com sua própria tradição ancestral.

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Biografia do Autor

Antonio Pedro Lima Junior, Universidade Federal de São Paulo

Doutorando e mestre em Ciência da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo, Brasil. Professor efetivo de Ensino Fundamental I-Artes na Prefeitura Municipal de Santo André-SP.

 

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Publicado

2025-11-12

Como Citar

LIMA JUNIOR, Antonio Pedro. Descolonizando o gênero no candomblé: tensão entre cosmogonias africanas e normas coloniais . Religare, [S. l.], v. 22, n. 1, 2025. DOI: 10.22478/ufpb.1982-6605.2025v22n1.74591. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/religare/article/view/74591. Acesso em: 5 mar. 2026.