ETARISMO NA ATENÇÃO À SAÚDE: INVISIBILIDADE, PRÁTICAS INSTITUCIONAIS E DESAFIOS PARA A FORMAÇÃO MÉDICA E O CUIDADO INTEGRAL

Autores

  • Gabriel Moreira Trindade Universidade Federal da Paraíba
  • João Gabriel Toledo Ramos Lins Universidade Federal da Paraíba
  • Rafael Luiz Rocha Bruno Universidade Federal da Paraíba
  • Rilva Lopes de Sousa Muñoz Universidade Federal da Paraíba https://orcid.org/0000-0001-6949-5775

Resumo

Objetivos: Analisar o etarismo na atenção à saúde como fenômeno estrutural e institucional, identificando suas principais manifestações nos serviços de saúde e discutindo suas implicações para o cuidado integral à pessoa idosa, para a formação médica e para a formulação de políticas públicas.
Métodos: Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter teórico-reflexivo, fundamentado em revisão narrativa da literatura. Foram analisadas produções científicas nacionais e internacionais, documentos normativos e marcos conceituais relacionados ao envelhecimento, ao preconceito etário e à atenção à saúde da pessoa idosa. A análise foi orientada por eixos temáticos que contemplaram dimensões cognitivas, afetivas e comportamentais do etarismo, bem como fatores institucionais, culturais e educacionais presentes nos serviços de saúde. Resultados: Os achados evidenciam que o etarismo se manifesta de forma ampla e sistemática na atenção à saúde, incluindo invisibilização clínica, subdiagnóstico, restrição de tratamentos, exclusão de intervenções terapêuticas, comunicação inadequada e violência simbólica e institucional. Tais práticas comprometem o acesso, a qualidade e a integralidade do cuidado, estando associadas a piores desfechos em saúde, redução da qualidade de vida e ampliação das desigualdades sociais na velhice. Observou-se ainda que fatores estruturais e culturais do ambiente hospitalar, bem como lacunas na formação profissional e a influência do currículo oculto, contribuem significativamente para a reprodução de atitudes etaristas. Conclusões: Conclui-se que o enfrentamento do etarismo na atenção à saúde demanda estratégias integradas que articulem mudanças na formação profissional, na organização dos serviços e na cultura social sobre o envelhecimento. Investir em educação permanente, revisão de práticas assistenciais e fortalecimento do protagonismo da pessoa idosa é fundamental para a construção de um cuidado equitativo, humanizado e sensível às especificidades do envelhecimento.

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Biografia do Autor

Gabriel Moreira Trindade, Universidade Federal da Paraíba

Universidade Federal da Paraíba

João Gabriel Toledo Ramos Lins, Universidade Federal da Paraíba

Universidade Federal da Paraíba

Rafael Luiz Rocha Bruno, Universidade Federal da Paraíba

Universidade Federal da Paraíba

Rilva Lopes de Sousa Muñoz, Universidade Federal da Paraíba

Professora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) / (Departamento de Medicina Interna / Centro de Ciências Médicas, CCM). Possui Doutorado em Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos (2003-2006), Mestrado em Desenvolvimento Humano (1998-2000), Residência em Clínica Médica (Hospital Universitário Lauro Wanderley, HULW, 1992-1994) e em Pediatria (Hospital de Assistência Médica Infantil da Paraíba, AMIP, 1989-1991), Graduação em Medicina (UFPB, 1983-1988) e Título de Especialista em Medicina Interna (Conselho Federal de Medicina, 1998). Atuou como médica pediatra na Secretaria de Saúde Pública do Estado do Rio Grande do Norte, no município de Cabedelo-PB e no centro de terapia intensiva do Hospital de Assistência Médica Infantil da Paraíba (AMIP) entre 1990 e 1998. Foi Membro do Comitê de Ética em Pesquisa do HULW entre 2000 e 2006, atualmente é membro do Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da UFPB. É Membro do Comitê Institucional do Programa de Bolsas de Iniciação Científica na UFPB e Assessora de Publicações do Centro de Ciências Médicas da UFPB. Atualmente, é professora da disciplina de Semiologia Médica, e já lecionou Bioestatística, Elaboração de Trabalho Científico e História da Medicina e da Bioética na UFPB. Líder do Grupo de Estudos em Semiologia Médica (GESME), vinculado ao Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq. Atua em trabalhos de pesquisa nas linhas de Semiologia Médica do Idoso e de Semiologia e Doenças Crônicas.

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Publicado

02.01.2026

Como Citar

Moreira Trindade, G., Toledo Ramos Lins, J. G., Rocha Bruno, R. L., & Lopes de Sousa Muñoz, R. (2026). ETARISMO NA ATENÇÃO À SAÚDE: INVISIBILIDADE, PRÁTICAS INSTITUCIONAIS E DESAFIOS PARA A FORMAÇÃO MÉDICA E O CUIDADO INTEGRAL. Revista Medicina & Pesquisa, 6(3). Recuperado de https://periodicos.ufpb.br/index.php/rmp/article/view/77631