ETARISMO NA ATENÇÃO À SAÚDE: INVISIBILIDADE, PRÁTICAS INSTITUCIONAIS E DESAFIOS PARA A FORMAÇÃO MÉDICA E O CUIDADO INTEGRAL
Resumo
Objetivos: Analisar o etarismo na atenção à saúde como fenômeno estrutural e institucional, identificando suas principais manifestações nos serviços de saúde e discutindo suas implicações para o cuidado integral à pessoa idosa, para a formação médica e para a formulação de políticas públicas.
Métodos: Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter teórico-reflexivo, fundamentado em revisão narrativa da literatura. Foram analisadas produções científicas nacionais e internacionais, documentos normativos e marcos conceituais relacionados ao envelhecimento, ao preconceito etário e à atenção à saúde da pessoa idosa. A análise foi orientada por eixos temáticos que contemplaram dimensões cognitivas, afetivas e comportamentais do etarismo, bem como fatores institucionais, culturais e educacionais presentes nos serviços de saúde. Resultados: Os achados evidenciam que o etarismo se manifesta de forma ampla e sistemática na atenção à saúde, incluindo invisibilização clínica, subdiagnóstico, restrição de tratamentos, exclusão de intervenções terapêuticas, comunicação inadequada e violência simbólica e institucional. Tais práticas comprometem o acesso, a qualidade e a integralidade do cuidado, estando associadas a piores desfechos em saúde, redução da qualidade de vida e ampliação das desigualdades sociais na velhice. Observou-se ainda que fatores estruturais e culturais do ambiente hospitalar, bem como lacunas na formação profissional e a influência do currículo oculto, contribuem significativamente para a reprodução de atitudes etaristas. Conclusões: Conclui-se que o enfrentamento do etarismo na atenção à saúde demanda estratégias integradas que articulem mudanças na formação profissional, na organização dos serviços e na cultura social sobre o envelhecimento. Investir em educação permanente, revisão de práticas assistenciais e fortalecimento do protagonismo da pessoa idosa é fundamental para a construção de um cuidado equitativo, humanizado e sensível às especificidades do envelhecimento.
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