EDITORIAL | Edição Temática
Resumo
A Revista Medicina & Pesquisa, ao publicar o Volume 6, Número 3 (2025), reafirma seu compromisso com a produção e a difusão de conhecimentos críticos, socialmente situados e eticamente orientados no campo da saúde. Esta edição temática reúne artigos que problematizam preconceitos estruturais — como o etarismo, o racismo e as desigualdades de gênero — e discutem seus impactos diretos sobre o cuidado em saúde, a formação médica e a construção de práticas assistenciais mais equitativas e inclusivas.
O artigo de revisão “Etarismo na atenção à saúde: invisibilidade, práticas institucionais e desafios para a formação médica e o cuidado integral” inaugura o número ao oferecer uma análise teórico-crítica aprofundada sobre o preconceito etário como fenômeno estrutural e institucional. Ao evidenciar como o etarismo se manifesta nos serviços de saúde — por meio da invisibilização clínica, da restrição de tratamentos, da comunicação inadequada e da violência simbólica — o artigo contribui para o reconhecimento do preconceito etário como determinante social da saúde e aponta desafios centrais para a formação médica e para a efetivação do cuidado integral à pessoa idosa.
Na sequência, o relato de experiência “Preconceito adoece: um olhar crítico sobre o impacto do racismo por meio de um infográfico” aborda o racismo estrutural como produtor de adoecimento e iniquidades em saúde. Ao utilizar o infográfico como estratégia pedagógica e comunicacional, o trabalho articula educação em saúde, metodologias ativas e formação antirracista, evidenciando o potencial de recursos visuais críticos para promover reflexão, sensibilização e transformação no processo formativo em saúde.
O terceiro artigo, “Prevenção do câncer de mama como questão crítica de gênero: diversidade, direitos e iniquidades” amplia o debate ao situar a prevenção do câncer de mama no campo das desigualdades de gênero e dos direitos em saúde. O relato de experiência evidencia como práticas educativas sensíveis à diversidade podem contribuir para o enfrentamento das iniquidades no acesso à informação, à prevenção e ao cuidado, reafirmando a centralidade do olhar interseccional na atenção à saúde das mulheres.
Encerrando a edição, o artigo “Saúde mental de mães solo: um podcast educativo como estratégia pedagógica na formação médica” destaca a potência das tecnologias educacionais e das narrativas na formação médica. Ao abordar a saúde mental de mães solo — grupo frequentemente invisibilizado nas políticas públicas e nos currículos tradicionais — o trabalho demonstra como o podcast pode atuar como ferramenta pedagógica para ampliar a escuta, a empatia e a compreensão das vulnerabilidades sociais que atravessam os processos de saúde e adoecimento.
Em conjunto, os artigos desta edição temática convidam à reflexão crítica sobre os modos como preconceitos e desigualdades estruturais se inscrevem nas práticas de cuidado e nos processos formativos em saúde. Ao articular pesquisa, extensão, educação e compromisso social, este número reafirma a necessidade de uma formação médica sensível à diversidade, orientada pela ética do cuidado e comprometida com a transformação das realidades que produzem exclusão e sofrimento.
A Revista Medicina & Pesquisa espera que esta edição contribua para o fortalecimento do debate acadêmico e para a construção de práticas em saúde mais justas, humanas e socialmente responsáveis.
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