Avaliação quali-quantitativa das cercas de madeiras em propriedades rurais na Caatinga do Vale do São Francisco-Bahia. Uma estratégia para o manejo e conservação.

Autores

  • Francisco de Carvalho Nogueira Júnior
  • Maria José Nascimento Soares
  • Claudio Sergio Lisi
  • Adauto Ribeiro

Palavras-chave:

Extrativismo Vegetal, Conhecimento Tradicional, Caatinga, semiárido.

Resumo

Para delimitar e cercar os espaços no uso da terra e domesticação de animais, desde os primórdios o homem tem buscado os recursos da floresta como um bem comum para tal finalidade. Durante a colonização da Caatinga a ocupação humana, que em senso comum realiza pratica de subsistência similar ao passado, como a retirada de madeira para diferentes fins, levou ao esgotamento de diversas espécies de madeira. O desenvolvimento da região semiárida do Vale São Francisco, historicamente iniciou-se com a extração de madeira, o pastoreio e depois o cultivo agrícola. As condições climáticas tornam precárias a sobrevivência e as práticas agrícolas que geralmente estão dissociados de alternativas de conservação, comprometendo a sustentabilidade local. Neste estudo avaliamos quali-quantitativamente um dos indicadores que levou ao esgotamento das espécies de madeira nativas através de medições do estado de biodegradação das cercas. Inicialmente avaliou-se a diversidade de madeiras e as praticas de seleção de árvores na construção das cercas em propriedades da região de Paulo Afonso-BA. Identificamos 8 espécies nativas e uma exótica. Observou-se que há um processo de substituição de madeira das cercas e construção pela Prosopis juliflora, uma espécie exótica. O estagio atual compromete a conservação das espécies nativas e funções ecossistêmicas e recomendamos o manejo na expansão da P. juliflora.

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Publicado

2016-12-30

Como Citar

JÚNIOR, F. de C. N.; SOARES, M. J. N.; LISI, C. S.; RIBEIRO, A. Avaliação quali-quantitativa das cercas de madeiras em propriedades rurais na Caatinga do Vale do São Francisco-Bahia. Uma estratégia para o manejo e conservação. Gaia Scientia, [S. l.], v. 10, n. 4, 2016. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/gaia/article/view/33244. Acesso em: 26 set. 2022.

Edição

Seção

Ciências Ambientais

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