A FEBRE PUERPERAL:

A DESCONSIDERAÇÃO DA HIPÓTESE DE IGNÁZ SEMMELWEIS EM UM ABORDAGEM SÓCIO-CONSTRUTIVISTA

  • Marcos Rodrigues da Silva UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA
  • Aline de Moura Mattos Universidade Federal do Rio Grande do Norte
  • Debora Minikoski
Palavras-chave: Febre puerperal, Ignáz Semmelweis, Sócio-construtivismo

Resumo

Na década de 1840, o médico húngaro Ignáz Semmelweis propôs uma profilaxia para casos de febre puerperal. Atuando no Hospital de Viena, foi bem sucedido em sua proposta; em seguida passou então a tentar explicar a causa da doença. Sua hipótese colidia fortemente com o conhecimento médico-científico estabelecido na época; mesmo assim, ela foi acolhida com simpatia pela Academia de Ciências de Viena, que sugeriu um desenvolvimento dos trabalhos de Semmelweis. Semmelweis recusou a oferta e, simultaneamente, passou a atacar a comunidade médica, que ele considerava culpada pela doença. Finalmente, sua proposta foi totalmente desconsiderada pela comunidade. O objetivo desse artigo é, partindo da historiografia do episódio, apresentar uma explicação filosófica sócio-construtivista para a não aceitação da hipótese de Semmelweis.

Biografia do Autor

Marcos Rodrigues da Silva, UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA
Doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo. Professor do Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina. Área de especialidade: filosofia da ciência.
Debora Minikoski

Mestre em Filosofia pela Universidade Estadual de Londrina.

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Publicado
2020-05-19
Seção
Artigos