Não há mais grave, mais perigosa, e mais temível

a sífilis na Província da Parahyba (1860-1880)

Palavras-chave: Sífilis, Parahyba, Discurso Médico

Resumo

O artigo tem por objetivo mostrar, a partir da História da Saúde e das Doenças, como a sífilis foi retratada na província da Parahyba, entre os anos de 1860 e 1880, observando a atuação dos poderes públicos para combatê-la e os métodos utilizados na prevenção e terapêutica da doença. Através da documentação consultada, a exemplo dos Relatórios da Inspetoria de Saúde e dos jornais que circulavam na época, percebe-se como a sífilis foi representada na Província. No discurso dos médicos, a sífilis era considerada como um mal perigoso que deveria ser combatido a todo custo, pois era vista como a grande ameaça ao futuro da sociedade. Portanto, no discurso, o mal deveria ser combatido nos seus espaços, prostíbulos, cadeias, entre outros, pois como a sífilis é uma doença infecciosa, fazia-se necessário um maior controle desses espaços considerados insalubres. A meta era se criar uma sociedade sadia, ou seja, civilizada, segundo os preceitos higienistas.

Biografia do Autor

Serioja Rodrigues Cordeiro Mariano

Possui graduação em História pela Universidade Federal da Paraíba (1995); mestrado em História pela Universidade Federal de Pernambuco (1999), com o tema "Signos em Confronto: o arcaico e o moderno na Princesa (PB) dos Anos Vinte"; e doutorado em História pela Universidade Federal de Pernambuco (2005), intitulado "Gente Opulenta e de Boa Linhagem: Família, Política e Relações de Poder na Paraíba (1817-1824)". É Pós-Doutora pela Universidade Federal de Minas Gerais/PROCAD, com o projeto "A Paraíba e as (inter)conexões provinciais: elites, poder e redes familiares (1825-1840)". Professora Associada III do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Paraíba. Coordena um grupo de pesquisa sobre "Sociedade e Cultura no Nordeste Oitocentista", vinculado ao CNPq. Faz parte do conselho editorial da Revista Saeculum. Tem experiência e leciona na área de História Antiga; História do Brasil e Paraíba com ênfase no século XIX, atuando principalmente em História do Nordeste com interesse em orientação nos seguintes temas: Culturas Políticas; Elites, Redes Familiares, Militares; Guarda Nacional, e História da Saúde e das Doenças no Brasil Oitocentista.

Referências

AGRA, Giscard Farias. A Urbs Doente Medicada: a Parahyba tossindo sangue, 1862 a 1918. In: Anais do V Encontro Estadual de História/V Encontro Nordestino de História. Recife: UFPE, 2004, p.1-12.

ALMEIDA, Horácio de. História da Paraíba. Tomo II, 3. ed. João Pessoa: Ed. Universitária/UFPB, 1997 [1966].

ARAÚJO, Edna Maria Nóbrega. Uma Cidade, Muitas Tramas: a cidade da Parahyba e seus encontros com a modernidade (1880-1920). Dissertação (Mestrado em História). Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2001.

ARAÚJO, Rafael Nóbrega. O “Terrível Flagello da Humanidade”: os discursos médico-higienistas no combate à sífilis na Paraíba (1921-1940). Dissertação (Mestrado em História). Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2020.

BATISTA, Ricardo dos Santos. Lues Venerea entre práticas e representações: Saúde Pública, Doença e Comportamento Social nas Serras Jacobinenses. In: CHAVES, Cleide de Lima (org.). História da Saúde e das Doenças no Interior da Bahia: Séculos XIX e XX. Vitória da Conquista: Edições UESB, 2013, p. 115-136.

BUENO, Eduardo; TAITELBAUM, Paula. Vendendo Saúde: a história da propaganda de medicamentos no Brasil. Brasília: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), 2008.

CARRARA, Sérgio. Tributo a Vênus: a luta contra a sífilis no Brasil, da passagem do século aos anos 40. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 1996.

CARRARA, Sérgio. Estratégias Anticoloniais: sífilis, raça e identidade nacional no Brasil do entre-guerras. In: HOCHMAN, Gilberto; ARMUS, Diego (orgs.). Cuidar, controlar, curar: ensaios históricos sobre saúde e doença na América Latina e Caribe. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2004. p. 427-453.

CASTRO, Oscar de Oliveira. Medicina na Paraíba – flagrantes de sua evolução. João Pessoa: A União, 1945.

CHALHOUB, Sidney. Cidade Febril: cortiços e epidemias na Corte imperial. São Paulo: Companhia das Letras, 2006 [1996].

CHERNOVIZ, Pedro Luiz Napoleão. Dicionário de medicina popular. 6. ed. Paris: A. Roger & F. Chernoviz, 1890.

COSTA, Jurandir Freire. Ordem Médica e Norma Familiar. Rio de Janeiro: Graal, 2004 [1979].

ENGEL, Magali. Meretrizes e Doutores: saber médico e prostituição no Rio de Janeiro (1840-1890). São Paulo: Brasiliense, 1989.

FERREIRA, Luiz Alberto Peregrino. O conceito de contágio de Girolamo Fracastoro nas teses sobre sífilis e tuberculose. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Santa Catarina, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, Florianópolis (SC), 2008.

GUIMARÃES, Maria Regina Cotrim. Chernoviz e os manuais de medicina popular no Império. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro: Fiocruz, v. 12, n. 2, p. 501-514, maio-ago. 2005.

JUNQUEIRA, Helmara Giccelli Formiga Wanderley. Doidos[as] e Doutores: a medicalização da loucura na Província/Estado da Parahyba do Norte 1830-1930. Tese (Doutorado em História) – Programa de Pós-Graduação em História, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2016.

KNIGHT, Jude. Syphilis: Zoonotic Pestilence or New World Souvenir? – Contraception, Death, Disease, Guest Posts, Sex, The Renaissance. 30/jun/2016. https://dirtysexyhistory.com/2016/06/30/syphilis-zoonotic-pestilence-or-new-world-souvenir/

MACHADO, Roberto et al. Danação da norma. Medicina social e constituição da psiquiatria no Brasil. Rio de Janeiro: Graal, 1978.

MARQUES, Vera Regina Beltrão. A espécie em risco: Sífilis em Curitiba nos anos de 1920. In: NASCIMENTO, Dilene Raimundo; CARVALHO, Diana Maul de (orgs.). Uma história brasileira das doenças. Brasília. Brasília: Paralelo 15, 2004, p. 277-294.

MARIANO, Nayana R. C. Educação pela higiene: a invenção de um modelo hígido de educação escolar primária na Parahyba do Norte (1849-1886). João Pessoa: Ideia, 2015.

MEDEIROS, Coriolano de. Algumas Páginas – Subsídios para a História da Hygiene Pública na Parahyba. Revista do IHGP, nº 3. 1911, Imprensa Official: Parahyba do Norte.

PIMENTA, Tânia Salgado. Artes de Curar: um estudo a partir dos documentos da Fisicatura-mor no Brasil do começo do século XIX. Dissertação (Mestrado em História). Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 1997.

PIMENTA, Tânia Salgado. Transformações no exercício das artes de curar no Rio de Janeiro durante a primeira metade do Oitocentos. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro: Fiocruz, v. 11, p. 67-92, 2004.

PORTER, Roy. Das tripas coração: uma breve história da medicina. Rio de Janeiro: Record, 2004.

SANTOS FILHO, Lycurgo. Medicina no Período Imperial. In: HOLANDA, Sérgio Buarque de (Dir.). História Geral da Civilização Brasileira. Tomo II. O Brasil Monárquico. Reações e Transações. 8. ed., vol. 5, Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004 [1997], p. 541-566.

SIGAUD, Joseph François Xavier. Du climat et des maladies au Brésil. Paris: Fortin & Masson Libraires, 1844.

SOARES JÚNIOR. Azemar dos Santos. Corpos Hígidos: o limpo e o sujo na Paraíba (1912-1924). Rio de Janeiro: Editora AMCGuedes, 2015.

SONTAG, Susan. Doença como metáfora. Tradução de Rubens Figueiredo e Paulo Henrique Britto. São Paulo: Companhia das Letras, 2007 [1977].

SONTAG, Susan. AIDS e suas metáforas. Tradução de Rubens Figueiredo e Paulo Henrique Britto. São Paulo: Companhia das Letras, 2007 [1988].

SANTOS, Fabiane Vinente dos. Sexualidade e civilização nos trópicos: gênero, medicina e moral na imprensa de Manaus (1895-1915). História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro: Fiocruz, v.14, p. 73-94, Dec. 2007.

SANTOS, Vanessa Cruz; ANJOS, Carla Ferraz dos. Sífilis: uma realidade previsível. Sua erradicação, um desafio atual. Revista Saúde e Pesquisa, v. 2, n. 2, p. 257-263, mai./ago. 2009.

VIEIRA, Risomar da Silva. Estado grave: condições de vida e saúde na Parahyba Imperial. Dissertação (Mestrado em História). Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2000.

VIEIRA, Risomar da Silva. Parahyba, Vida e Saúde. Cenários de Tempos Deletérios. João Pessoa: Ideia, 2015.

UJVARI, Stefan Cunha. A história da humanidade contada pelos Vírus, bactérias, parasitas e outros microrganismos. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2015 [2008].

UJVARI, Stefan Cunha – A história e suas epidemias. A convivência do homem com os microrganismos. Rio de Janeiro, Senac Rio: São Paulo, Senac São Paulo, 2003.

WITTER, Nikelen Acosta. Dizem que foi feitiço: as práticas de cura no sul do Brasil (1845-1880). Porto Alegre: EDIPUCRS, 2001.

Publicado
2020-11-18
Como Citar
MARIANO, S. R. C. Não há mais grave, mais perigosa, e mais temível. Sæculum – Revista de História, v. 25, n. 43, p. 263-279, 18 nov. 2020.