“Todo mundo conhece todo mundo”: interioridade e a territorialidade do cuidado em HIV/Aids na atenção básica em Rio Tinto (Paraíba)

Autores

  • Francisco Paulino de Oliveira Neto
  • Luziana Marques da Fonseca Silva

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2025v40n1.77599

Resumo

Neste artigo discutimos como as linhas de cuidado em HIV/Aids na Atenção Básica se realizam (ou não), levando em consideração na análise, a prerrogativa do processo de descentralização da Atenção em HIV/Aids assumida pelo Sistema Único de Saúde (SUS/Portaria Nº 77 de 12 de janeiro de 2012). Nos apoiamos em dados etnográficos reunidos entre os anos de 2020 e 2022 a partir de uma abordagem multissituada com foco nas experiências de cuidado em HIV/Aids na cidade de Rio Tinto (Paraíba, Brasil). O esforço antropológico contemplou o ponto de vista de gestoras municipais, profissionais, e usuárias dos serviços de saúde da Atenção Básica, registrados e analisados a partir de entrevistas semiestruturadas realizadas de modo online em plataforma digital de videoconferência (no período pandêmico) e presencial, além de observações etnográficas em duas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade. A análise se debruça sobre as dinâmicas da territorialidade da atenção em HIV/Aids e as narrativas de profissionais de saúde, de gestores e de duas mulheres vivendo com HIV. Apesar das intempéries surgidas por consequência da pandemia de Covid-19, os resultados encontrados apontam para um silenciamento em torno do HIV no contexto interiorano e para os desafios na implementação e efetivação do manejo do diagnóstico, aconselhamento e acompanhamento pela via da Estratégia de Saúde da Família (ESF), emaranhadas em processos de estigmatização que se inserem na relação entre interioridade, territorialidade, soropositividade e relações de gênero.

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Publicado

2025-12-29