Swipeando o estigma: algoritmos, interseccionalidades, sexualidades dissidentes e a epistemopolítica do HIV nos aplicativos de encontros
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2025v40n1.77603Resumo
O objetivo deste ensaio é discutir criticamente os aplicativos de encontros, notadamente Grindr, Hornet e Tinder, como dispositivos tecnopolíticos de governo da sexualidade, que regulam o desejo, silenciam saberes dissidentes e atualizam estigmas sorológicos sob a estética da autonomia. Nossa premissa é que esses aplicativos, entre os quais Grindr, Hornet, Tinder e Scruff, assumem papel central na mediação contemporânea dos vínculos afetivo-sexuais, sobretudo entre pessoas LGBTQIAP+. Entretanto, embora sejam apresentados como espaços de liberdade e diversidade, operam, de fato, como dispositivos algorítmicos que codificam o desejo, hierarquizam os corpos e silenciam dissidências. Ainda assim, esses dispositivos também são tensionados por práticas de resistência e reexistência, como a criação de perfis que afirmam explicitamente a soropositividade indetectável como estratégia de visibilidade positiva.

