Tensões e disputas sobre a doação de sangue LGBTQIAPN+: violência simbólica nos espaços de saúde
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2025v40n1.77604Resumo
Este estudo trata das tensões e disputas sobre a temática da doação de sangue por pessoas LGBTQIAPN+. A partir do método etnográfico, analisamos narrativas de participantes voluntários à doação de sangue, de pessoas autorreferidas LGBTQIAPN+ e heterossexuais, bem como de profissionais de saúde que realizam triagem clínica para a doação de sangue. De forma complementar, a autora principal realizou observação participante num banco de sangue, e produziu anotações sobre o percurso dos doadores no espaço, bem como sobre as relações cotidianas que constituem o processo da doação, em diário de campo. Os resultados demonstraram comportamentos, gestos e não ditos que sugeriram a presença de forte estigma em relação à doação de sangue por pessoas LGBTQIAPN+, revelando a permanência de julgamento social vivenciado por homossexuais desde a década de 1980. A chave teórica acionada para analisar os dados produzidos no trabalho de campo foi o conceito de violência simbólica proposto por Bourdieu. Por esta leitura, foi possível verificar que os agentes do campo perpetuam uma violência institucional, reproduzindo uma cultura homofóbica, que contribui para o afastamento da população LGBTQIAPN+ dos bancos de sangue.

