Prevenção em disputa: PrEP, biopoder e desigualdades na política de HIV no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2025v40n1.77605Resumo
Analisamos criticamente a centralidade biomédica da PrEP na prevenção ao HIV no Brasil, destacando efeitos de normalização da sexualidade, produção de subjetividades e desigualdades de acesso. Trata-se de estudo qualitativo, exploratório, baseado em uma pesquisa bibliográfica e análise documental dos PCDTs de 2017, 2022 e 2025, do Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2024 e dos dados de 2018 a 2024 do Painel PrEP. Argumentamos que a PrEP opera como tecnologia clínica de proteção e processo de subjetivação: rotinas de testagem, consultas e gestão de dados tornam-se condições para dispensação contínua. Enquanto dispositivo biopolítico articulado a racionalidades tecnocráticas, neoliberalismo e tecnociência, sua disponibilização no SUS combina critérios normativos e protocolos tecnificados, produzindo exclusões que reforçam desigualdades de raça, classe, gênero e território. Concluímos que a PrEP expande a oferta ao mesmo tempo em que subjetiva e seleciona; propomos reorientar a política com políticas estruturais, comunicação, cuidado longitudinal, interseccionalidade, vulnerabilidade e justiça social.

