Polifonias: falando sobre HIV/Aids na extensão universitária
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2025v40n1.77606Resumo
Este artigo discute como a extensão universitária pode atuar como uma potente ferramenta no enfrentamento aos três fenômenos que configuram o que Daniel e Parker (2018) denominam de “terceira epidemia”: e que se traduz em estigma, discriminação e preconceito relacionados ao HIV/Aids. A partir da análise de experiências extensionistas desenvolvidas em contextos diversos, dentro e fora da universidade, argumentamos que tais iniciativas contribuem para a construção de espaços de escuta, diálogo e produção coletiva de saberes sobre sexualidade, saúde e direitos humanos. Ancorado no princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, o trabalho evidencia que o combate ao estigma não se limita aos muros da universidade, mas se expande para praças, escolas, redes sociais, oficinas e ateliês, alcançando diferentes públicos e territórios. As práticas extensionistas analisadas lançam mão de metodologias participativas e linguagens plurais — com destaque para o uso da arte e da abordagem interdisciplinar — como forma de sensibilizar e mobilizar afetos, desconstruir estereótipos e afirmar políticas de prevenção, cuidados e reconhecimento. Intermediadas pelo olhar antropológico, tais práticas ganham o mundo embebidas pelo respeito à diversidade e atenção aos significados nem sempre explícitos do universo dos outros. Sustentamos, pois, que a extensão, quando orientada por uma perspectiva crítica e comprometida com a transformação social, torna-se um dispositivo ético e político fundamental na resposta à epidemia, ao tensionar as barreiras simbólicas e estruturais que a sustentam. Dessa forma, reafirmamos o papel da universidade pública como agente ativo na luta contra o estigma, contribuindo para a construção de uma sociedade mais inclusiva, democrática e comprometida com o enfrentamento das desigualdades e discriminações.

