Atenção à saúde sexual e reprodutiva entre jovens em uma favela carioca: qual o lugar da aids?
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2025v40n1.77608Resumo
O Brasil teve avanços na legislação sobre direitos sociais de jovens e iniciativas bem-sucedidas sobre saúde sexual e reprodutiva (SSR). Entretanto, especialmente na gestão federal de 2019 a 2022, houve um desmonte de políticas sobre o tema outrora orientadas pelos direitos humanos; além da precarização do SUS. Este trabalho analisa o cotidiano de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), localizada numa favela do Rio de Janeiro, focalizando a visão das/os trabalhadoras/es sobre a juventude, as ações de SSR e a relação de jovens moradores/ras com o serviço. A pesquisa, de caráter etnográfico, envolveu observação direta na UBS durante 6 meses, entrevistas com os/as trabalhadores/as do serviço e conversas informais com usuárias jovens. Segundo os resultados as ações de prevenção às IST/HIV são escassas, prevalece o foco gravidez, disponibilização de anticoncepcional injetável e atenção materno-infantil. Não há divulgação das profilaxias pré-exposição e pós-exposição do HIV. A maioria dos serviços ofertados para as mulheres é relacionada ao escopo reprodutivo, nesse cenário a procura das mulheres jovens se concentra na contracepção hormonal, teste para gravidez e pré-natal. A frequência dos homens jovens ao serviço é mínima. Em suma, predomina a centralidade na reprodução e o distanciamento em relação à prevenção ao HIV/IST nas ações da UBS e na demanda das jovens. A abordagem etnográfica possibilitou uma compreensão sobre as especificidades e desafios do cuidado em saúde dos/as jovens em um território marcado pela violência armada e vulnerabilidade social e econômica. A despeito dos limites impostos e do atual silencio do debate público sobre a aids, é preciso avançar nas ações de prevenção e cuidado sobre sexualidade e reprodução para os/as jovens, em articulação com outros dispositivos do território. As experiências exitosas, como a clínica itinerante e a Rede de Adolescentes e Jovens Promotores de Saúde, promovidos pelo governo municipal, representam alternativas viáveis.

