Midiatização e Maconha:

Ancestralidade e luta por legitimidade em fragmentos midiatizados de Nêgo Bispo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.2763-9398.2026v25n.76473

Palavras-chave:

Maconha, Midiatização, Ancestralidade

Resumo

Este artigo examina como a presença comunicacional da ancestralidade, em cenários contemporâneos de midiatização, emerge como disposição experiencial mobilizada na construção de processos de legitimidade pública da maconha, tendo, como horizonte empírico, a presença midiatizada de Nêgo Bispo, em circulação nas plataformas YouTube e Instagram. Como fundamentação teórica, o artigo mobiliza compreensões sobre midiatização (Neto (2008); Braga (2011, 2012); Lelo (2021)) e presença da ancestralidade no contemporâneo (Ribeiro (2022); Krenak (2022); Gumbrecht (2015); Oliveira e Salgado (2023)). A metodologia se baseia na análise de conteúdo descritiva-interpretativa de fragmentos midiatizados em circulação de Nêgo Bispo, a partir do paradigma indiciário (Braga, 2008). Como principal resultado, aponta-se que a ancestralidade caminha como uma estrutura confluente à construção da legitimidade pública da maconha, a partir da circulação midiatizada de saberes de povos afropindorâmicos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Letícia Araújo Resende Guimarães Pereira, Universidade Federal de Minas Gerais/Mestranda

Bacharela em Jornalismo (UFV), Mestranda em Comunicação Social (UFMG). Integrante do coletivo de pesquisa Corisco (UFMG). Desloca-se o olhar as latências, divergências e confluências comunicacionais que emergem e se fazem presentes na teia da segurança pública brasileira, com foco nas discussões sobre drogas, violência e práticas de resistência/contraconduta. 

Rennan Lanna Martins Mafra, Universidade Federal de Viçosa/Professor

Pós-Doutor (2021) em História pela UFOP, Doutor (2011) e mestre (2005) em Comunicação, na área de concentração Comunicação e Sociabilidade Contemporânea, pela UFMG. Docente do curso de graduação em Comunicação Social e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Regionalidades da UFV. É coordenador do grupo de pesquisa Pólen e co-líder do DIZ. Compreende a pesquisa nas humanidades como atividade essencial à escuta de fenômenos que desafiam a vida na contemporaneidade.

Referências

ATHAYDE, Celso; MEIRELLES, Renato. Um país chamado favela. 1ª ed. São Paulo: Editora Gente, 2014.

BRAGA, José L.; CALAZANS, Maria Regina Z. Comunicação e educação: questões delicadas na interface. São Paulo: Hacker, 2001.

BRAGA, José Luiz. Os estudos de interface como espaço de construção do Campo da Comunicação. Contracampo, Rio de Janeiro, v. 10, n. 4, p. 219-235. 2004. Disponível em: https://periodicos.uff.br/contracampo/issue/view/1003. Acesso em: 12 set. 2025.

BRAGA, José Luiz. Comunicação, disciplina indiciária. MATRIZes, São Paulo, v. 1, n. 4, p. 73-88. 2008. Disponível em: https://revistas.usp.br/matrizes/article/view/38193. Acesso em: 12 set. 2025.

BRAGA, José Luiz. Constituição do Campo da Comunicação. Verso e Reverso, São Leopoldo, v. 25, n. 58, p. 62-77. 2011. Disponível em: https://revistas.unisinos.br/index.php/versoereverso/article/view/924. Acesso em: 12 set. 2025.

BRAGA, José Luiz. Circuitos versus campos sociais. In: MATTOS, Maria A.; JANOTTI JUNIOR, Jeder J.; JACKS, Nilda (org.). Mediação & midiatização. Salvador: EDUFBA; Brasília: COMPÓS, 2012. p. 29-52. E-book.

BRANDÃO, Marcílio Dantas. O “problema público” da maconha no Brasil: anotações sobre quatro ciclos de atores, interesses e controvérsias. Dilemas, Rio de Janeiro, v. 7, n. 4, p. 703-740. 2014. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/5638/563865508007.pdf. Acesso em: 12 set. 2025.

FERRUGEM, Daniela. Guerra as drogas e a manutenção da hierarquia racial. Belo Horizonte: Letramento, 2019.

FRANÇA, Jean Marcel C. História da maconha no Brasil. São Paulo: Jandaíra, 2022.

GOMES, Pedro Gilberto. Midiatização: um conceito, múltiplas vozes. Revista Famecos: mídia, cultura e tecnologia, Porto Alegre, v. 23, n. 2, p. 1-20, maio-agosto. 2016. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/4955/495553927012.pdf. Acesso em: 17 de nov. de 2025

GROHMANN, Rafael. O que é circulação na comunicação? Dimensões epistemológicas. Revista Famecos: mídia, cultura e tecnologia, Porto Alegre, v. 27, p. 1-13, jan.-dez. 2020. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/revistafamecos/article/view/35881. Acesso em: 17 de nov. de 2025.

GUMBRECHT, Hans U. Produção de presença: o que o sentido não consegue transmitir. Rio de Janeiro: Contraponto, 2010.

GUMBRECHT, Hans U. Nosso amplo presente: o tempo e a cultura contemporânea. São Paulo: Editora Unesp, 2015.

Katiúscia Ribeiro explica ancestralidade e sua presença na cultura diaspórica. Katiúscia Ribeiro. [S. l.: s. n.], 2022. 1 vídeo (6min27seg). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=h03cAD1EKNw & t=1s&ab_channel=CanalGNT. Acesso em: 12 set. 2025.

KRENAK, Ailton. Futuro ancestral. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

LELO, Thales Vilela. A midiatização em perspectiva crítica. Galáxia, São Paulo (online), n. 46, p. 1-16. 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/gal/a/hNBn73zbSn7YzQBR9d7BckS/?format=html&lang=pt . Acesso em: 17 de nov. de 2025

MAFRA, Rennan Lanna Martins. As organizações modernas e o contemporâneo: notas para uma leitura comunicacional do presente. Logos, Rio de Janeiro, v. 28, n. 3, p. 89. 2022. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/logos/article/view/62436 . Acesso em: 9 de março de 2026.

MARTINS, Leda. Performances do tempo espiralar, poéticas do corpo-tela. Rio de

Janeiro: Cobogó, 2021.

MIGLIEVICH-RIBEIRO, Adelia. Por uma razão decolonial: desafios ético-político-epistemológicos à cosmovisão moderna. Civitas, Porto Alegre, v. 14, n. 1, p. 66-80. 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/civitas/a/LhdvrTHy73MP8sxQQqK4QDR. Acesso em: 12 set. 2025.

NETO, Antônio F. Fragmentos de uma “analítica” da midiatização. MATRIZes, São Paulo, v. 1, n. 2, p. 89-105. 2008. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/1430/143017353005.pdf. Acesso em: 12 set. 2025.

OLIVEIRA, Luciana de; SALGADO, Tiago Barcelos P. Comunicação intermundos: entre a violência e a re-existência, quem fala? Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación, v. 22, n. 42, p. 143-153. 2023. Disponível em: https://revista.pubalaic.org/index.php/alaic/article/view/984. Acesso em: 12 set. 2025.

RANGEL, Marcelo de Mello. Melancolia e história em Walter Benjamin. Ensaios Filosóficos, Rio de Janeiro, v. 14, p. 126-137. 2016. Disponível em: https://www.ensaiosfilosoficos.com.br/Artigos/Artigo14/11_RANGEL_Ensaios_Filosoficos_Volume_XIV.pdf. Acesso em: 12 set. 2025.

RIBEIRO, Sidarta. As flores do bem: a ciência e a história da libertação da maconha. 1ª ed. São Paulo: Fósforo, 2023.

RODRIGUES, Adriano D. Estratégias da comunicação. Lisboa: Presença, 1990.

RODRIGUES, Ana Paula Lopes da S. Conhecimentos e ativismos: associações canábicas nas redes sociais digitais. 2022. Tese (Doutorado em Extensão Rural) – Universidade Federal de Viçosa, Viçosa. 2022. Disponível em: Acesso em: 12 set. 2025.

SANTAELLA, Lúcia. Matrizes da linguagem e do pensamento: sonora, visual, verbal. São Paulo: Iluminuras, 2001.

SANTOS, Antônio Bispo dos. Colonização, quilombos: Modos e significações. Brasília: UnB/CNPq, 2015.

Downloads

Publicado

2026-04-02