A LIGA
Crônicas dos Presídios e a Representação da Mulher Encarcerada
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2025v3n1.73519Resumo
Em 2015, a emissora de televisão Bandeirantes trouxe ao ar a série de quatro episódios de título “A Liga – crônicas dos presídios”. A ideia era “retratar” o modo como viviam as pessoas submetidas ao cárcere. Para isso, a repórter Mariana Weickert e Thaíde Gonçalves ficaram responsáveis por entrevistar nos presídios Maria Júlia Maranhão e Geraldo Beltrão homens e mulheres privados de liberdade. Contudo, no decorrer do programa ficou nítido que o conteúdo dos questionamentos mudava de acordo com o gênero da pessoa entrevistada. No presídio feminino, as perguntas tinham como intuito fazer com que as entrevistadas entrassem em detalhes acerca da prática criminosa, o que denota o caráter racista e sexista a que está embebido a sociedade brasileira. A partir disso, temos como problema de pesquisa: como a condução diferenciada dos questionamentos serviu para construir uma imagem negativa das entrevistadas e como prejudica suas autopercepções e do grupo ao qual pertence, na medida que também esconde uma violência de gênero e raça. Assim, este trabalho busca analisar a representação da mulher negra no programa “A Liga” e identificar como o racismo/sexismo influenciaram nas indagações feitas. Para alcançar tal fim, o programa será analisado de forma qualitativa, alinhado também com o método de análise do discurso.
Palavras-chave: Televisão. Mulheres. Encarceradas. Narrativa. Racismo.
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