UMA CATEGORIA COM SENTIDO LATENTE
a noção de povo nos estudos de folclore no Brasil e a visão (crítica) de Florestan Fernandes
Palavras-chave:
Florestan Fernandes. Estudos de Folclore. Folclore brasileiro. Povo.Resumo
Como se sabe, o sociólogo Florestan Fernandes teve importante participação no campo dos estudos de folclore no Brasil a partir dos fecundos debates que estabeleceu com intelectuais inseridos naquele campo de produção do conhecimento. Dentre os vários aspectos estudados de sua obra, no que se refere à sua relação com a temática do folclore, a noção de povo, tal como tratada e problematizada por esse autor, não mereceu a devida atenção de estudiosos. Nesse sentido, o presente artigo tem por objetivo circunstanciar e problematizar como a categoria povo é acionada por esse autor no debate que estabeleceu com os folcloristas. Para tanto, toma-se como material de análise a antologia publicada por ele em 1978, intitulada “O Folclore em Questão”, que reúne textos de sua autoria veiculados na imprensa escrita entre 1944 e 1962. Como resultado, constata-se que Florestan Fernandes criticava certa concepção de povo que condenava setores da sociedade à inércia cultural e histórica, supostamente marcados por “sobrevivências culturais” e arcaísmos. Em contraste, povo para Fernandes assume no debate um sentido abrangente, não restrito a um único estrato social, e sim equivalendo a uma sociedade em sua extensão, onde os elementos tidos como folclóricos circulam pelas camadas dessa sociedade de modo dinâmico e inventivo. Dessarte, conclui-se que as críticas que Florestan Fernandes empreendeu sobre a pretensa formação de um campo autônomo dos estudos de folclore, envolvendo questões de método e objeto, perpassaram também pela concepção inventiva de “povo” colocada sob tensão naquele debate. Ademais, conclui-se que tal concepção de povo forjada por Fernandes nos ajuda a melhor compreender sua disposição em defender o folclore como uma disciplina humanística.
Downloads
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Política & Trabalho

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
DIREITOS DE AUTOR: O autor retém, sem retrições dos direitos sobre sua obra. DIREITOS DE REUTILIZAÇÃO: A Revista de Ciências Sociais - Política & Trabalho adota a Licença Creative Commons, CC BY-NC atribuição não comercial conforme a Política de Acesso Aberto ao conhecimento adotado pelo Portal de Periódicos da UFPB. Com essa licença é permitido acessar, baixar (download), copiar, imprimir, compartilhar, reutilizar e distribuir os artigos, desde que para uso não comercial e com a citação da fonte, conferindo os devidos créditos de autoria e menção à Revista de Ciências Sociais - Política & Trabalho. Nesses casos, nenhuma permissão é necessária por parte dos autores ou dos editores. DIREITOS DE DEPÓSITO DOS AUTORES/AUTOARQUIVAMENTO: Os autores são estimulados a realizarem o depósito em repositórios institucionais da versão publicada com o link do seu artigo na Revista de Ciências Sociais - Política & Trabalho.


