CANNABIS SATIVA NO BRASIL:
DA PROIBIÇÃO À REGULAMENTAÇÃO DO USO TERAPÊUTICO
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.2358-4351.2025v4n2.71779Palavras-chave:
Cannabis medicinal. Anvisa. Regulamentação. Uso terapêutico.Resumo
O presente artigo percorre a trajetória da Cannabis spp. no Brasil, desde sua exploração durante o período colonial brasileiro, passando por sua proibição no século XX, até a recente regulamentação para uso medicinal. O trabalho analisa os progressos na legislação, possibilitados pelas Resoluções de Diretoria Colegiada (RDCs) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que permitiram a prescrição e comercialização de produtos à base de Cannabis para o tratamento de determinadas doenças. Além de traçar um breve panorama histórico da repressão ao uso da maconha, o estudo evidencia a evolução do conhecimento científico sobre os benefícios terapêuticos dos compostos da planta, como o tetrahidrocanabinol “THC” e o canabidiol “CBD”, assim como discute os impactos e os obstáculos da atual regulamentação, como as dificuldades de acesso aos tratamentos. O resultado demonstra que, embora os avanços sejam significativos, ainda persistem barreiras regulatórias, econômicas e científicas que precisam ser ultrapassadas para garantir o amplo acesso à terapia com Cannabis no Brasil.
Downloads
Referências
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (Anvisa). Relatório de Análise de Impacto Regulatório sobre produtos de Cannabis para fins medicinais. Processo nº 25351.912833/2022-80. Brasília: ANVISA, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/regulamentacao/air/analises-de-impacto-regulatorio/2024/arquivos-relatorios-de-air-2024/relatorio-de-air-produtos-cannabis-medicinal-08082024.pdf. Acesso em: 11 out. 2024
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (Anvisa). Resolução de Diretoria Colegiada – RDC n° 66, de 18 de março de 2016. Dispõe sobre a atualização do Anexo I (Listas de Substâncias Entorpecentes, Psicotrópicas, Precursoras e Outras sob Controle Especial) da Portaria SVS/MS no 344, de 12 de maio de 1998, e dá outras providências Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 21 mar. 2016. Disponível em: https://antigo.anvisa.gov.br/documents/10181/2718376/RDC_66_2016_.pdf/e6f8f9cd-8046-4120-983c-42d3bf8c705e#:~:text=Disp%C3%B5e%20sobre%20a%20atualiza%C3%A7%C3%A3o%20do,1998%2C%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias. Acesso em: 10 out. 2024.
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (Anvisa). Resolução de Diretoria Colegiada – RDC n° 327, de 9 de dezembro de 2019. Dispõe sobre os procedimentos para a concessão da Autorização Sanitária para a fabricação e a importação, bem como estabelece requisitos para a comercialização, prescrição, a dispensação, o monitoramento e a fiscalização de produtos de Cannabis para fins medicinais, e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 11 dez. 2019. Disponível em: https://antigo.anvisa.gov.br/documents/10181/5533192/RDC_327_2019_.pdf/db3ae185-6443-453d-805d-7fc174654edb. Acesso em: 10 out. 2024.
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (Anvisa). Resolução de Diretoria Colegiada – RDC n° 660, de 30 de março de 2022.Define os critérios e os procedimentos para a importação de Produto derivado de Cannabis, por pessoa física, para uso próprio, mediante prescrição de profissional legalmente habilitado, para tratamento de saúde Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 31 mar. 2022. Disponível em: https://antigo.anvisa.gov.br/documents/10181/6415139/RDC_660_2022_.pdf/cddad7b2-6a6c-4fbd-b30b-d56f38c50755. Acesso em: 10 out. 2024.
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (Anvisa). Voto nº 101/2024/SEI/DIRE2/ANVISA. Apresenta para deliberação o Relatório de Análise de Impacto Regulatório sobre produtos de Cannabis. Relatora: Meiruze de Souza Freitas. Processo no 25351.912833/2022-80. Brasília: ANVISA, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2024/SEI_2965166_Voto_101.pdf. Acesso em: 11 out. 2024.
BARROS, André; PERES, Marta. Proibição da maconha no Brasil e suas raízes históricas escravocratas. Periferia, [S. l.], v. 3, n. 2, 2012. DOI: 10.12957/periferia.2011.3953. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/periferia/article/view/3953. Acesso em: 08 out. 2024.
BRASIL. Decreto nº 4.294, de 6 de julho de 1921. Estabelece penalidades para os contraventores na venda de cocaina, opio, morphina e seus derivados; crêa um estabelecimento especial para internação dos intoxicados pelo alcool ou substancias venenosas; estabelece as fórmas de processo e julgamento e manda abrir os creditos necessarios. Diário Oficial da União, Seção 1, 13 jul. 1921. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1920-1929/decreto-4294-6-julho-1921-569300-publicacaooriginal-92525-pl.html#:~:text=Fica%20o%20Poder%20Executivo%20autorizado,pris%C3%A3o%20cellular%2C%20al%C3%A9m%20das%20fiscaes. Acesso em: 08 out. 2024.
BRASIL. Decreto nº 20.930, de 11 de janeiro de 1932. Fiscaliza o emprego e o comércio das substâncias tóxicas entorpecentes, regula a sua entrada no país de acordo com a solicitação do Comité Central Permanente do Ópio da Liga das Nações, e estabelece penas. Diário Oficial da União, Seção 1, 16 jan. 1932. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1930-1939/decreto-20930-11-janeiro-1932-498374-publicacaooriginal-81616-pe.html. Acesso em: 08 out. 2024.
BRASIL. Decreto-Lei nº 2.848, de 07 de dezembro de 1940. Código Penal. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm. Acesso em: 08 out. 2024.
BRASIL. Decreto-Lei nº 385, de 26 de dezembro de 1968. Dá nova redação ao artigo 281 do Código Penal. Diário Oficial da União - Seção 1 - 27/12/1968. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/declei/1960-1969/decreto-lei-385-26-dezembro-1968-378122-publicacaooriginal-1-pe.html. Acesso em: 08 out. 2024.
BRASIL. Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006. Institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas - Sisnad; prescreve medidas para prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelece normas para repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas; define crimes e dá outras providências. Brasília, Brasil: Diário Oficial da União, 2006. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11343.htm. Acesso em: 10 out. 2024.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 344, de 12 de maio de 1998. Aprova o regulamento técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 19 mai. 1998. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/svs/1998/prt0344_12_05_1998_rep.html. Acesso em: 10 out. 2024.
CARLINI, Elisaldo Araújo. A história da maconha no Brasil. J. bras. psiquiatr., v. 55, n. 4, Rio de Janeiro, 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/jbpsiq/v55n4/a08v55n4.pdf. Acesso em: 08 out. 2024.
CONSELHO FEDERAL DE BIOMEDICINA (Brasil). Resolução nº 365, de 25 de janeiro de 2023. Dispõe sobre prescrição de produtos tradicionais fitoterápicos à base de canabidiol. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 22 jun. 2023. Disponível em: https://cfbm.gov.br/wp-content/uploads/2023/06/RESOLUCAO-No-365.pdf. Acesso em: 10 out. 2024.
CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL (Brasil). Resolução nº 380, de 3 de novembro de 2010. Regulamenta o uso pelo Fisioterapeuta das Práticas Integrativas e Complementares de Saúde e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 12 nov. 2010. Disponível em: https://www.coffito.gov.br/nsite/?p=1437. Acesso em: 10 out. 2024.
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (Brasil). Resolução nº 2.113, de 16 de dezembro de 2014. Aprova o uso compassivo do canabidiol para o tratamento de epilepsias da criança e do adolescente refratárias aos tratamentos convencionais. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 16 dez. 2014. Disponível em: https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=278684. Acesso em: 10 out. 2024.
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (Brasil). Resolução nº 2.324, de 11 de outubro de 2022. Aprova o uso do canabidiol para o tratamento de epilepsias da criança e do adolescente refratárias às terapias convencionais na Síndrome de Dravet e Lennox-Gastaut e no Complexo de Esclerose Tuberosa. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 14 out. 2022. Disponível em: https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=437226. Acesso em: 10 out. 2024.
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA (Brasil). Resolução nº 2.326, de 28 de outubro de 2022. Susta temporariamente os efeitos da Resolução CFM no 2.324, publicada no D.O.U. de 14 de outubro de 2022, Seção I, pág. 189. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 25 out. 2022. Disponível em: https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2022/2326. Acesso em: 10 out. 2024.
DIAS, L. L.; SANTOS, S. C. P. Breve história da maconha no Brasil e suas relações com a moralidade na formação da República. Revista Aedos, [S. l.], v. 13, n. 28, p. 281–322, 2021. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/aedos/article/view/116111. Acesso em: 08 out. 2024.
DÓRIA, J. R. C. Os fumadores de maconha: efeitos e males do vício. In: BRASIL. Ministério da Saúde. Serviço Nacional de Educação Sanitária. Maconha: coletânea de trabalhos brasileiros. 2. ed. Rio de Janeiro: Oficinas Gráficas do IBGE, 1958. Originalmente publicado em 1915. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/maconha_coletania_trabalhos_brasileiros_2ed.pdf. Acesso em: 03 fev. 2025
SAAD, L. G. “Fumo de negro”: a criminalização da maconha no Brasil (c. 1890-1932). 2013. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2013. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/13691/1/DISSERTA%C3%87%C3%83O%20LUISA%20SAAD.pdf. Acesso em: 03 fev. 2025
SANTOS, L. R. M. dos. Guia prático de prescrição de cannabis. Revista Brasileira de Cannabis, [S. l.], v. 1, n. 1, p. 14–16, 2022. DOI: 10.58731/2965-0771.2022.6. Disponível em: https://revistacannabis.med.br/index.php/sbec/article/view/6. Acesso em: 05 out. 2024.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Revista Ratio Iuris

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.




