Empreendedorismo de Festas Populares: uma Análise do Modelo de Dimensões Proposto por Zeny Rosendahl para o Estudo de Festas Religiosas Católicas

  • Lorrana Laila Silva de Almeida Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
  • Alessandro Gomes Enoque Universitade Federal de Uberlândia (UFU)
  • Alex Fernando Borges Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
Palavras-chave: Empreendedorismo, Festas Populares, Festas Religiosas Católicas, Religião

Resumo

As discussões acerca das festas populares culminam em um propulsor campo de estudos das ciências humanas e sociais, fomentando uma abordagem cada vez mais abrangente e enriquecedora na produção acadêmica científica. O empreendedorismo surge no contexto das festas populares, como um mecanismo impulsionador de cidades e negócios e fator gerador de inovação, tendo em vista que a realização das festas corrobora na construção de um cenário de oportunidades no campo mercadológico empreendedor, ao tempo que contribui para a disseminação e continuidade da cultura popular brasileira. Assim posto, este ensaio teórico objetiva incitar uma discussão acerca da temática empreendedorismo de festas populares, com destaque para as festas religiosas católicas, a partir da aplicação do modelo de dimensões de análise proposto por Zeny Rosendahl, com ênfase na abordagem da dimensão econômica. A realização deste estudo permitirá demonstrar a importância das festas populares para a cultura brasileira e, ao mesmo tempo, identificar o escopo empreendedor no contexto das festas religiosas católicas como fonte geradora de oportunidades e empregabilidade, elemento transformador da economia local, estabelecendo, assim, uma conexão entre as abordagens de Zeny Rosendahl à área dos estudos organizacionais.

Biografia do Autor

Lorrana Laila Silva de Almeida, Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
Mestranda em Geografia pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGEP) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Graduada em Administração pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
Alessandro Gomes Enoque, Universitade Federal de Uberlândia (UFU)
Pós-Doutor em Sciences Humaines pela École des Sciences de la Gestion (ESQ) da Université du Québec à Montréal (UQAM). Doutor em Ciências Humanas (Sociologia e Ciência Política) pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais (FAFICH/UFMG). Mestre em Administração de Empresas (Área de Concentração: Organizações e Recursos Humanos) pela Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (FACE/UFMG). Professor Adjunto do Curso de Administração da Universidade Federal de Uberlândia (Campus do Pontal). Professor do Programa de Pós-Graduação em Geografia do Pontal (PPGEP/PONTAL) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
Alex Fernando Borges, Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
Doutor em Administração - Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Lavras (PPGA-UFLA). Mestre em Administração - Programa de Pós-Graduação em Administração, Universidade Federal de Lavras (PPGA-UFLA). Professor Adjunto da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Referências

Agência Sebrae de Notícias. (2013). Festa Junina é porta de entrada para pequenos negócios: Mercado milionário no Nordeste brasileiro, festas populares atraem os empreendedores iniciais. Revista Peque-nas Empresas & Grandes Negócios. Recuperado a partir de https://revistapegn.globo.com/Como-comecar/noticia/2013/06/festa-junina-e-porta-de-entrada-para-pequenos-negocios.html

Amaral, R. C. M. P. (1998). Festa à brasileira: significados do festejar, no país que 'não é sério' (Tese de Doutorado, Departamento de Antropologia, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas). Recu-perado a partir de http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-21102004-134208/pt-br.php

Aragão, I. R., & Macedo, J. R. de. (2011). Festa e Turismo Religioso: a procissão em louvor ao Nosso Se-nhor dos Passos na cidade de São Cristóvão – Sergipe. Revista de Estudos de Teologia e Ciências da Re-ligião, 20, 96-113. doi: 10.5752/P.2175-5841.2011v9n20p96

Borges, A. F., Enoque, A. G., Borges, J. F., & Almeida, L. L. S. de. (2015). Empreendedorismo Religioso: Um Estudo sobre Empresas que Exploram o Nicho da Religiosidade. Revista de Administração Con-temporânea, 19(5), 565-583. doi. 10.1590/1982-7849rac20151626

Borges, A. F., Enoque, A. G., Dantas, P., & Silva, C. M. da. (2014). “Empreender com fé”: configurações do processo empreendedor em empresas de artigos religiosas na cidade de Ituiutaba – Minas Gerais. In. Anais, VIII Encontro de Estudos e Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (EGEPE). Recu-perado a partir de http://www.egepe.org.br/anais/tema04/222.pdf

Bourdieu, P. (1987). A economia das trocas simbólicas. Miceli, S. et al (Trad.). São Paulo: Perspectiva.

Bourdieu, P. (1996). Razões práticas: sobre a teoria da ação. (10a. ed.). Campinas: Papirus.

Certo, S. T., & Miller, T. (2008). Social entrepreneurship: key issues and concepts. Business Horizons, 51(4), 267-271. doi: 10.1016/j.bushor.2008.02.009

Costa, A. M. D. da. (2011). Festa de santo na cidade: notas sobre uma pesquisa etnográfica na periferia de Belém, Pará, Brasil. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, 6 (1), 197-216. doi. 10.1590/S1981-81222011000100012

Costa, M. de. O. (2010). A religião e a produção do espaço: um olhar sobre os aspectos culturais da fes-ta de Nossa Senhora da Luz (Trabalho de Conclusão de Curso, Departamento de Geografia e História, Universidade Estadual da Paraíba). Recuperado a partir de http://dspace.bc.uepb.edu.br/jspui/bitstream/123456789/1179/1/PDF%20-%20Maric%C3%A9lia%20de%20Oliveira%20Costa.pdf

DaMatta, R. (1997). Carnavais, malandros e heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro. (6a ed.). Rio de Janeiro: Rocco.

Drakopoulou Dodd, S. D., & Gotsis, G. (2007). The interrelationships between entrepreneurship and religion. The International Journal of Entrepreneurship and Innovation, 8(2), 93-104. doi: 10.5367/000000007780808066

Eliade, M. (2008). O sagrado e o profano: a essência das religiões. (2o. ed.). São Paulo: Martins Fontes.

Enoque, A. G., Borges, A. F., Borges, J. F., Mariano Filho, V. P., Dantas, P. (2013). "A César o que é de César e a Deus o que é de Deus": Representações Sociais do Lucro na Perspectiva de Empresários do Ramo de Artigos Religiosos da Região do Triângulo Mineiro. In. Anais, XXXVII Encontro da ANPAD. Recuperado a partir de http://www.anpad.org.br/admin/pdf/2013_EnANPAD_EOR1230.pdf

Falco, D.P. (2016). Peregrinações turísticas pelos universos sagrado e mágico: uma análise das narrati-vas jornalísticas e publicitárias das revistas especializadas em turismo. Turismo e Hospitalidade, 8(2), 192-204.

Ferreira, J. V. G. (2014). O Espaço público e o espaço sagrado na Festa de São Jorge em Quintino, cidade do Rio de Janeiro. VII Congresso Brasileiro de Geógrafos. In. Anais, VII CBG, Vitória. Recuperado a partir de http://www.cbg2014.agb.org.br/resources/anais/1/1404599717_ARQUIVO_ArtigoCBGJoaoVictorFerreira.pdf

Ferreti, S. F. (2007). Festas religiosas populares: versão preliminar. In. Anais, III Jornada Internacional de Políticas Públicas, Maranhão. Recuperado a partir de http://www.joinpp.ufma.br/jornadas/joinppIII/html/Trabalhos/EixoTematicoE/e43fb0271718488a89acSergio%20Figueiredo%20Ferretti.pdf

Filion, L. J. (1999). Empreendedorismo: empreendedores e proprietários-gerentes de pequenos negó-cios. Revista de Administração, 39(4), 5-28. Recuperado a partir de http://www.spell.org.br/documentos/ver/18122/empreendedorismo--empreendedores-e-proprietarios-gerentes-de-pequenos-negocios/i/pt-br

Geertz, C. (2008). A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC-Livros Técnicos e Científicos.

Hackmann, G. (2006) O sentido cristão das festas religiosas. Revista da Teologia da PUCRS, 36, 867-883, dez. 2006. Recuperado a partir de http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/teo/article/view/1766/1299

Itani, A. (2003). Festas e calendários. São Paulo: UNESP.

Jaluska,T., Junqueira, S. (2012). A utilização dos espaços sagrados pelo turismo religioso e suas possibi-lidades como ferramenta auxiliar para o estabelecimento do diálogo entre as nações. Revista Turismo Visão e Ação, 14(3), 337-348.

Lopes, R. M. (2015). Carnaval e festas populares são impulsionadores de negócios e de cidades. [Coluna]. UOL Economia. Recuperado a partir de https://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/colunistas/rose-mary-lopes/2015/02/13/carnaval-e-festas-populares-sao-impulsionadores-de-negocios-e-de-cidades.htm

Lóssio, R. A. R., & Pereira, C. de M. (2007). A importância da valorização da cultura popular para o de-senvolvimento local. In: Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura: III ENECULT, Bahia. Re-cuperado a partir de http://www.cult.ufba.br/enecult2007/RubiaRibeiroLossio_CesardeMendoncaPereira.pdf

Maia, C. E. S. (1999). Ensaio interpretativo da dimensão espacial das festas populares: proposições so-bre festas brasileiras. In. R. L. Corrêa, & Z. Rosendahl (Orgs.), Manifestações da cultura no espaço (pp. 191-218). Rio de Janeiro: UERJ.

Marques, L. M., Brandão, C. R. (2015). As festas populares como objeto de estudo: contribuições geográ-ficas a partir de uma análise escalar. Revista Eletrônica Ateliê Geográfico, (9) 3, 7-26. doi. 10.5216/ag.v9i3.33822

Monteiro de Oliveira, C. (2007). Festas populares religiosas e suas dinâmicas espaciais. Mercator – Re-vista de Geografia da UFC, 6 (11), 23-32. Recuperado a partir de http://www.redalyc.org/pdf/2736/273620627004.pdf

Morais Filho, M. (2002). Festas e tradições populares do Brasil. In. Senado Federal, Conselho Editorial, Brasília. Recuperado a partir de http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/1061

NEPEC – Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Espaço e Cultura. Equipe Blog. Recuperado a partir de http://nepec-uerj.blogspot.com/p/nepec.html

Oliveira, H. C. M. de. (2012). Espaço e religião, sagrado e profano: uma contribuição para a geografia da religião do movimento pentecostal. Caderno Prudentino de Geografia, 34 (2), 135-161. Recuperado a partir de http://revista.fct.unesp.br/index.php/cpg/article/view/2036/2291

Plataforma Lattes. Zeny Rosendahl. (2018). Recuperado a partir de http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4795697A9

Rosendahl, Z. (1996). Espaço e religião: Uma abordagem geográfica. (2a ed.). Rio de Janeiro: EdUERJ.

Rosendahl, Z. (1999). Hierópolis: O Sagrado e o Urbano. Rio de Janeiro: EDUERJ.

Rosendahl, Z. (2003). Espaço, cultura e religião: dimensões de análise. In R. L. Corrêa, & Z. Rosendahl (Orgs.), Introdução à Geografia Cultural (pp. 187-224). Rio de Janeiro: Bertrand.

Ribeiro, M. (2004). Festas populares e turismo cultural - inserir e valorizar ou esquecer? O caso dos Moçambiques de Osório. PASOS Revista de Turismo y Patrimonio Cultural, 2 (1), 47-56. doi. 10.25145/j.pasos.2004.02.004

Rocha, T.V.C., Belchior,M.H.C.S. (2016). A interseção entre peregrino e turista religioso: os diferentes caminhos ao sagrado. Turismo em Análise, (27)2, 274-298.

Rosa, N. S. S. (2001). Festas e tradições. São Paulo: Moderna.

Santos, A. P. dos. (2002). Introduction to geography of religions. Geousp: Espaço e Tempo (Online), 11, 21-33. doi. 10.11606/issn.2179-0892.geousp.2002.123639

Saraiva, A. L., Silva, J. da C. (2008). Espacialidades das festas religiosas em comunidades ribeirinhas de Porto Velho, Rondônia. Espaço e Cultura: UERJ, 24, 7-18. doi.10.12957/espacoecultura.2008.3570

Sebrae. (2016). São João, época de festejar e empreender no Maranhão. Economia plural. Recuperado a partir de http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/ma/noticias/sao-joao-epoca-de-festejar-e-empreender-no-maranhao,0b736e0ddd945510VgnVCM1000004c00210aRCRD

Silva, C. A. O., Barroso, H. P. (2015). Cultura, patrimônio e as festas religiosas: uma relação com o de-senvolvimento turístico de Luziânia/GO. Revista de Turismo Contemporâneo, (3) 1, 16-35. Recuperado de https://periodicos.ufrn.br/turismocontemporaneo/article/view/5564

Souza, M.M.P. (2014). Do "beija e me deixa" ao "membro virtual": os vários usos do sagrado na feira do jubileu de Congonhas. Revista de Administração, (49)2, 429-440.

Tracey, P. (2012). Religion and organization: a critical review of current trends and future directions. The Academy of Management Annals, DOI: 10.1080/19416520.2012.660761

Tracey, P., Phillips, N., & Lounsbury,M. (2014). Religion and organization theory. (1o.ed.). London: Emerald.

Publicado
2019-07-28
Como Citar
Silva de Almeida, L. L., Enoque, A. G., & Borges, A. F. (2019). Empreendedorismo de Festas Populares: uma Análise do Modelo de Dimensões Proposto por Zeny Rosendahl para o Estudo de Festas Religiosas Católicas. TPA - Teoria E Prática Em Administração, 9(2), 1-13. https://doi.org/10.21714/2238-104X2019v9i2-42107
Seção
Dossiê (Dossier)