Empreendedorismo de Festas Populares: uma Análise do Modelo de Dimensões Proposto por Zeny Rosendahl para o Estudo de Festas Religiosas Católicas

Lorrana Laila Silva de Almeida, Alessandro Gomes Enoque, Alex Fernando Borges

Resumo


As discussões acerca das festas populares culminam em um propulsor campo de estudos das ciências humanas e sociais, fomentando uma abordagem cada vez mais abrangente e enriquecedora na produção acadêmica científica. O empreendedorismo surge no contexto das festas populares, como um mecanismo impulsionador de cidades e negócios e fator gerador de inovação, tendo em vista que a realização das festas corrobora na construção de um cenário de oportunidades no campo mercadológico empreendedor, ao tempo que contribui para a disseminação e continuidade da cultura popular brasileira. Assim posto, este ensaio teórico objetiva incitar uma discussão acerca da temática empreendedorismo de festas populares, com destaque para as festas religiosas católicas, a partir da aplicação do modelo de dimensões de análise proposto por Zeny Rosendahl, com ênfase na abordagem da dimensão econômica. A realização deste estudo permitirá demonstrar a importância das festas populares para a cultura brasileira e, ao mesmo tempo, identificar o escopo empreendedor no contexto das festas religiosas católicas como fonte geradora de oportunidades e empregabilidade, elemento transformador da economia local, estabelecendo, assim, uma conexão entre as abordagens de Zeny Rosendahl à área dos estudos organizacionais.

Palavras-chave


Empreendedorismo; Festas Populares; Festas Religiosas Católicas; Religião

Texto completo:

PDF

Referências


Agência Sebrae de Notícias. (2013). Festa Junina é porta de entrada para pequenos negócios: Mercado milionário no Nordeste brasileiro, festas populares atraem os empreendedores iniciais. Revista Peque-nas Empresas & Grandes Negócios. Recuperado a partir de https://revistapegn.globo.com/Como-comecar/noticia/2013/06/festa-junina-e-porta-de-entrada-para-pequenos-negocios.html

Amaral, R. C. M. P. (1998). Festa à brasileira: significados do festejar, no país que 'não é sério' (Tese de Doutorado, Departamento de Antropologia, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas). Recu-perado a partir de http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-21102004-134208/pt-br.php

Aragão, I. R., & Macedo, J. R. de. (2011). Festa e Turismo Religioso: a procissão em louvor ao Nosso Se-nhor dos Passos na cidade de São Cristóvão – Sergipe. Revista de Estudos de Teologia e Ciências da Re-ligião, 20, 96-113. doi: 10.5752/P.2175-5841.2011v9n20p96

Borges, A. F., Enoque, A. G., Borges, J. F., & Almeida, L. L. S. de. (2015). Empreendedorismo Religioso: Um Estudo sobre Empresas que Exploram o Nicho da Religiosidade. Revista de Administração Con-temporânea, 19(5), 565-583. doi. 10.1590/1982-7849rac20151626

Borges, A. F., Enoque, A. G., Dantas, P., & Silva, C. M. da. (2014). “Empreender com fé”: configurações do processo empreendedor em empresas de artigos religiosas na cidade de Ituiutaba – Minas Gerais. In. Anais, VIII Encontro de Estudos e Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (EGEPE). Recu-perado a partir de http://www.egepe.org.br/anais/tema04/222.pdf

Bourdieu, P. (1987). A economia das trocas simbólicas. Miceli, S. et al (Trad.). São Paulo: Perspectiva.

Bourdieu, P. (1996). Razões práticas: sobre a teoria da ação. (10a. ed.). Campinas: Papirus.

Certo, S. T., & Miller, T. (2008). Social entrepreneurship: key issues and concepts. Business Horizons, 51(4), 267-271. doi: 10.1016/j.bushor.2008.02.009

Costa, A. M. D. da. (2011). Festa de santo na cidade: notas sobre uma pesquisa etnográfica na periferia de Belém, Pará, Brasil. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, 6 (1), 197-216. doi. 10.1590/S1981-81222011000100012

Costa, M. de. O. (2010). A religião e a produção do espaço: um olhar sobre os aspectos culturais da fes-ta de Nossa Senhora da Luz (Trabalho de Conclusão de Curso, Departamento de Geografia e História, Universidade Estadual da Paraíba). Recuperado a partir de http://dspace.bc.uepb.edu.br/jspui/bitstream/123456789/1179/1/PDF%20-%20Maric%C3%A9lia%20de%20Oliveira%20Costa.pdf

DaMatta, R. (1997). Carnavais, malandros e heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro. (6a ed.). Rio de Janeiro: Rocco.

Drakopoulou Dodd, S. D., & Gotsis, G. (2007). The interrelationships between entrepreneurship and religion. The International Journal of Entrepreneurship and Innovation, 8(2), 93-104. doi: 10.5367/000000007780808066

Eliade, M. (2008). O sagrado e o profano: a essência das religiões. (2o. ed.). São Paulo: Martins Fontes.

Enoque, A. G., Borges, A. F., Borges, J. F., Mariano Filho, V. P., Dantas, P. (2013). "A César o que é de César e a Deus o que é de Deus": Representações Sociais do Lucro na Perspectiva de Empresários do Ramo de Artigos Religiosos da Região do Triângulo Mineiro. In. Anais, XXXVII Encontro da ANPAD. Recuperado a partir de http://www.anpad.org.br/admin/pdf/2013_EnANPAD_EOR1230.pdf

Falco, D.P. (2016). Peregrinações turísticas pelos universos sagrado e mágico: uma análise das narrati-vas jornalísticas e publicitárias das revistas especializadas em turismo. Turismo e Hospitalidade, 8(2), 192-204.

Ferreira, J. V. G. (2014). O Espaço público e o espaço sagrado na Festa de São Jorge em Quintino, cidade do Rio de Janeiro. VII Congresso Brasileiro de Geógrafos. In. Anais, VII CBG, Vitória. Recuperado a partir de http://www.cbg2014.agb.org.br/resources/anais/1/1404599717_ARQUIVO_ArtigoCBGJoaoVictorFerreira.pdf

Ferreti, S. F. (2007). Festas religiosas populares: versão preliminar. In. Anais, III Jornada Internacional de Políticas Públicas, Maranhão. Recuperado a partir de http://www.joinpp.ufma.br/jornadas/joinppIII/html/Trabalhos/EixoTematicoE/e43fb0271718488a89acSergio%20Figueiredo%20Ferretti.pdf

Filion, L. J. (1999). Empreendedorismo: empreendedores e proprietários-gerentes de pequenos negó-cios. Revista de Administração, 39(4), 5-28. Recuperado a partir de http://www.spell.org.br/documentos/ver/18122/empreendedorismo--empreendedores-e-proprietarios-gerentes-de-pequenos-negocios/i/pt-br

Geertz, C. (2008). A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC-Livros Técnicos e Científicos.

Hackmann, G. (2006) O sentido cristão das festas religiosas. Revista da Teologia da PUCRS, 36, 867-883, dez. 2006. Recuperado a partir de http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/teo/article/view/1766/1299

Itani, A. (2003). Festas e calendários. São Paulo: UNESP.

Jaluska,T., Junqueira, S. (2012). A utilização dos espaços sagrados pelo turismo religioso e suas possibi-lidades como ferramenta auxiliar para o estabelecimento do diálogo entre as nações. Revista Turismo Visão e Ação, 14(3), 337-348.

Lopes, R. M. (2015). Carnaval e festas populares são impulsionadores de negócios e de cidades. [Coluna]. UOL Economia. Recuperado a partir de https://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/colunistas/rose-mary-lopes/2015/02/13/carnaval-e-festas-populares-sao-impulsionadores-de-negocios-e-de-cidades.htm

Lóssio, R. A. R., & Pereira, C. de M. (2007). A importância da valorização da cultura popular para o de-senvolvimento local. In: Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura: III ENECULT, Bahia. Re-cuperado a partir de http://www.cult.ufba.br/enecult2007/RubiaRibeiroLossio_CesardeMendoncaPereira.pdf

Maia, C. E. S. (1999). Ensaio interpretativo da dimensão espacial das festas populares: proposições so-bre festas brasileiras. In. R. L. Corrêa, & Z. Rosendahl (Orgs.), Manifestações da cultura no espaço (pp. 191-218). Rio de Janeiro: UERJ.

Marques, L. M., Brandão, C. R. (2015). As festas populares como objeto de estudo: contribuições geográ-ficas a partir de uma análise escalar. Revista Eletrônica Ateliê Geográfico, (9) 3, 7-26. doi. 10.5216/ag.v9i3.33822

Monteiro de Oliveira, C. (2007). Festas populares religiosas e suas dinâmicas espaciais. Mercator – Re-vista de Geografia da UFC, 6 (11), 23-32. Recuperado a partir de http://www.redalyc.org/pdf/2736/273620627004.pdf

Morais Filho, M. (2002). Festas e tradições populares do Brasil. In. Senado Federal, Conselho Editorial, Brasília. Recuperado a partir de http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/1061

NEPEC – Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Espaço e Cultura. Equipe Blog. Recuperado a partir de http://nepec-uerj.blogspot.com/p/nepec.html

Oliveira, H. C. M. de. (2012). Espaço e religião, sagrado e profano: uma contribuição para a geografia da religião do movimento pentecostal. Caderno Prudentino de Geografia, 34 (2), 135-161. Recuperado a partir de http://revista.fct.unesp.br/index.php/cpg/article/view/2036/2291

Plataforma Lattes. Zeny Rosendahl. (2018). Recuperado a partir de http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4795697A9

Rosendahl, Z. (1996). Espaço e religião: Uma abordagem geográfica. (2a ed.). Rio de Janeiro: EdUERJ.

Rosendahl, Z. (1999). Hierópolis: O Sagrado e o Urbano. Rio de Janeiro: EDUERJ.

Rosendahl, Z. (2003). Espaço, cultura e religião: dimensões de análise. In R. L. Corrêa, & Z. Rosendahl (Orgs.), Introdução à Geografia Cultural (pp. 187-224). Rio de Janeiro: Bertrand.

Ribeiro, M. (2004). Festas populares e turismo cultural - inserir e valorizar ou esquecer? O caso dos Moçambiques de Osório. PASOS Revista de Turismo y Patrimonio Cultural, 2 (1), 47-56. doi. 10.25145/j.pasos.2004.02.004

Rocha, T.V.C., Belchior,M.H.C.S. (2016). A interseção entre peregrino e turista religioso: os diferentes caminhos ao sagrado. Turismo em Análise, (27)2, 274-298.

Rosa, N. S. S. (2001). Festas e tradições. São Paulo: Moderna.

Santos, A. P. dos. (2002). Introduction to geography of religions. Geousp: Espaço e Tempo (Online), 11, 21-33. doi. 10.11606/issn.2179-0892.geousp.2002.123639

Saraiva, A. L., Silva, J. da C. (2008). Espacialidades das festas religiosas em comunidades ribeirinhas de Porto Velho, Rondônia. Espaço e Cultura: UERJ, 24, 7-18. doi.10.12957/espacoecultura.2008.3570

Sebrae. (2016). São João, época de festejar e empreender no Maranhão. Economia plural. Recuperado a partir de http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/ma/noticias/sao-joao-epoca-de-festejar-e-empreender-no-maranhao,0b736e0ddd945510VgnVCM1000004c00210aRCRD

Silva, C. A. O., Barroso, H. P. (2015). Cultura, patrimônio e as festas religiosas: uma relação com o de-senvolvimento turístico de Luziânia/GO. Revista de Turismo Contemporâneo, (3) 1, 16-35. Recuperado de https://periodicos.ufrn.br/turismocontemporaneo/article/view/5564

Souza, M.M.P. (2014). Do "beija e me deixa" ao "membro virtual": os vários usos do sagrado na feira do jubileu de Congonhas. Revista de Administração, (49)2, 429-440.

Tracey, P. (2012). Religion and organization: a critical review of current trends and future directions. The Academy of Management Annals, DOI: 10.1080/19416520.2012.660761

Tracey, P., Phillips, N., & Lounsbury,M. (2014). Religion and organization theory. (1o.ed.). London: Emerald.




DOI: https://doi.org/10.21714/2019_v9i242107



TPA está presente nos seguintes Diretórios e Indexadores:

DIRETÓRIOS:

INDEXADORES:

REDIB
SPELL



TPA recomenda a leitura de:

Manual de Boas Práticas da Publicação Científica - ANPAD



Instituições de referência para a TPA:



Contato: tpa@ccsa.ufpb.br

TPA - Teoria e Prática em Administração

Licença Creative Commons
Os trabalhos publicados na Teoria e Prática em Administração (TPA) estão licenciados com uma
Licença Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional.



Projeto e direitos: Mariana Cantisani | Ronei Oliveira | Carlo Bellini