Da retórica do visível à distribuição do sensível: a política da estética em Jacques Rancière

  • Pedro Lucas Dulci Universidade Federal de Goiás
Palavras-chave: ação política, criação artística, emancipação, sensibilidade comum, profanação

Resumo

O presente trabalho tem por objetivo investigar a crítica do filósofo francês Jacques Rancière a um modo tradicional de encarar a relação entre política e arte apropriada por uma corrente específica de crítica social que encara a vocação política da criação artística como simples meio privilegiado de mostrar o real da dominação por trás das outras inúmeras imagens lançadas a nós. Contra esta perspectiva, Rancière propõe reconsiderar a lógica que esta envolvida na distribuição comum do sensível, do audível e falável enquanto verdadeira vocação política da arte, uma vez que ele entende que ação política é justamente aquela que muda os lugares e o cálculo dos corpos organizados pelo dispositivo da polícia.

Biografia do Autor

Pedro Lucas Dulci, Universidade Federal de Goiás
Mestre em Filosofia (UFG) onde desenvolveu pesquisa em ética e filosofia política contemporânea, dialogando especificamente com Michel Foucault, Giorgio Agamben, Walter Benjamin e Slavoj Zizek. Especialista em Desafios das relações internacionais (Université de Genève/Leiden). Realizou um período de mobilidade no ano acadêmico de 2012-2013, na Universidade do Porto, Portugal, sob a orientação da Prof.ª Drª Eugénia Vilela Morais. Além disso, graduou-se em Filosofia (UFG), em Teologia (IBICAMP) e possui uma graduação em andamento no Seminário Presbiteriano Brasil Central, com ênfase nos autores (H. Ridderbos, H. Bavinck, A. Kuyper e H. Dooyeweerd).

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Publicado
2016-04-21
Como Citar
Dulci, P. L. (2016). Da retórica do visível à distribuição do sensível: a política da estética em Jacques Rancière. Aufklärung: Revista De Filosofia, 3(1), p.155-168. https://doi.org/10.18012/arf.2016.23425