A “Mulher de dois tempos” e representações de gênero na comunidade quilombola do Ariramba

  • Luciana Gonçalves de Carvalho Ufopa
  • Laiane Katrine Castro
Palavras-chave: Mulher, Narrativas de vida, Relações de gênero, Comunidade quilombola

Resumo

A partir da trajetória de vida de uma quilombola reconhecida na comunidade em que vive como "mulher-homem" e "mulher de dois tempos", este trabalho teve por objetivo analisar as representações elaboradas acerca das relações de gênero entre famílias que executam atividades agroextrativistas como meio de vida. O local de estudo é a comunidade remanescente de quilombo do Ariramba, situada na fronteira entre Óbidos e Oriximiná, no oeste do Pará. As narrativas de vida registradas junto à mulher constituem a principal fonte da pesquisa, que também envolveu a observação direta de suas atividades diárias e entrevistas com outros moradores. O papel da mulher nessa comunidade é o de ser esposa, mãe, dona de casa e, em sua maioria, ajudante do marido nas tarefas da roça. No caso de Josélia, nota-se que é no trabalho cotidiano com objetos naturais e culturais no ambiente em que vive (árvores, peixes, espingardas, plantas, e enxadas, entre outros) praticando “afazeres masculinos” que se define a condição de seu reconhecimento como "mulher de dois tempos". Nesta posição ambivalente, destacam-se os fluxos que ela realiza entre diversos espaços sociais ocupados por homens e mulheres, revelando as fronteiras e passagens entre eles.

Publicado
2020-12-22
Como Citar
GONÇALVES DE CARVALHO, L.; CASTRO, L. K. A “Mulher de dois tempos” e representações de gênero na comunidade quilombola do Ariramba. Revista Ártemis - Estudos de Gênero, Feminismos e Sexualidades, v. 30, n. 1, p. 73-96, 22 dez. 2020.
Seção
Dossiê: Mulheres e Cidades