CHAMADA PARA DOSSIÊ 2022.1

2021-12-06

Dossiê: Virginia Woolf e a cena modernista: 1922-2022

1922 é um ano em disputa nos estudos modernistas globais. A pesquisa em literaturas de língua inglesa frequentemente reproduz a formulação de Willa Cather ao dizer que, com as primeiras publicações da tradução inglesa de À la recherche du temps perdu, de Marcel Proust, de Ulysses, de James Joyce, e de “The Wasteland”, de T. S. Eliot, “o mundo quebrou em dois em 1922”. Mas se o mundo se partiu em dois há 100 anos, o que advém dessa quebra (enquanto projetos estéticos e políticos) não se limita a um mero antes e depois unívoco, especialmente se incluirmos outras contribuições à lista de publicações em língua inglesa também datadas de 1922, como as de Katherine Mansfield, com The Garden Party and Other Stories, de D. H. Lawrence, com Aaron’s Rod, e de Virginia Woolf, com seu Jacob’s Room. Ao reconhecer as diferenças entre essas obras, os estudos modernistas têm desafiado certa narrativa da história da literatura — que insiste em pensar o modernismo como um movimento unificado, decomposto em um alto modernismo formalista da década de 1920 e uma virada realista dos political 30s — ao formular o modernismo como encenações diversas de críticas muitas vezes contraditórias à modernidade, produzidas em um contexto de embates estéticos e políticos sobre os limites da linguagem, da representação, bem como da democracia e das liberdades individuais, como anota Jane Goldman em Modernism, 1910-1945: Image to Apocalypse (2004). Tomando parte do contexto de celebração deste ano de 2022, este número da REVISTA ÁRTEMIS almeja reunir trabalhos que destaquem a contribuição feminista de Woolf para este centenário de discussões modernistas em torno da tradição. Em especial, interessa-nos coletar contribuições comparativistas em torno do romance Jacob’s Room; de diálogos entre a cena modernista de Woolf e outras cenas modernistas transnacionais e transculturais; de aproximações entre o pensamento woolfiano e epistemologias contemporâneas; do legado woolfiano para os estudos de gênero e para novas perspectivas queer e/ou feministas; de releituras pós-coloniais da obra de Woolf; de estudos da ecocrítica e animais; de estudos de som, mídia e artes visuais; da pandemia de influenza e das marcas deixadas por ela nos escritos da autora inglesa; ou ainda de quaisquer revisões da obra de Virginia Woolf que contribuam para as disputas e reconsiderações de uma história do modernismo de língua inglesa.

 

Organizadores: Davi Pinho (UERJ), Maria A. de Oliveira (UFPB); Nícea Nogueira (UFJF)

Prazo: 30/03/2022

Email para submissão dos artigos: dossiewoolf@gmail.com