GILKA MACHADO, POETA MODERNA

  • Anélia Montechiari Pietrani Universidade Federal do Rio de Janeiro

Resumo

Tomando por relevo as relações político-textuais e político-contextuais dos estudos literários, este artigo tem por objetivo interpretar poemas de Gilka Machado (1893-1980), cuja produção teve início naquele momento nomeado por alguns críticos historiográficos como pré-modernismo, um período de transição que reúne tendências conservadoras e renovadoras no início do século XX brasileiro. A poesia de Gilka Machado estabelece diálogos com essas tendências literárias, mas constrói uma voz poética muito própria, marcada por intensa carga de erotização e por reflexões sobre o papel social e cultural das mulheres – temáticas já amplamente estudadas pela fortuna crítica da autora, que podem ser bastante enriquecidas quando conjugadas à abordagem sobre a consciência poética que ela expressa em sua poesia. Exemplo significativo dessa comunhão de aspectos se encontra no poema “Lépida e leve”, publicado em Meu glorioso pecado (1928), cuja leitura interpretativa dos traços imagéticos, estilísticos e vanguardistas aponta-o em direção à poesia moderna de Gilka Machado em seu “momento futurista”, no sentido estudado por Marjorie Perloff a partir do termo cunhado por Renato Poggioli.

Palavras-chave: Gilka Machado. Poesia moderna brasileira. Crítica literária feminista. Consciência poética.

Biografia do Autor

Anélia Montechiari Pietrani, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Professora Associada de Literatura Brasileira na UFRJ e coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos das Mulheres na Literatura (NIELM/UFRJ). Mestre em Literatura Brasileira (UFF) e Doutora em Literatura Comparada (UFF), suas publicações e organizações de livros incluem: O enigma mulher no universo masculino machadiano (EdUFF, 2000), Experiência do limite: Ana Cristina Cesar e Sylvia Plath entre escritos e vividos (EdUFF, 2009), Euclides da Cunha: presente e plural (EdUERJ, 2010), Euclides: mestre-escola (EdUERJ, 2015), Crônica Trovada da Cidade de Sam Sebastiam e Cantata da Cidade do Rio de Janeiro de Cecília Meireles (Global, 2019), além de artigos publicados em periódicos especializados.
Publicado
2020-01-11