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Prorrogação de Prazo Vol. 22, n.3: Dossiê Idade Média: persperctivas multidimensionais

2020-07-30

Comunicamos que o período de submissão para o dossiê Idade Média: perspectivas multidimesnionais foi prorrogado até 20/08/2020.

O presente dossiê da Revista Graphos propõe discutir as multidimensionalidades do período medieval invisibilizadas pela historiografia tradicional, considerando sobretudo a espacialidade, a temporalidade e as relações de gênero. Com foco na articulação com o literário, o dossiê buscará debater acerca da importância da noção de decolonialidade para os estudos medievais, no sentido de desconstruir preconceitos oriundos da retórica da modernidade/colonialidade, de base patriarcal, racista e escriptocêntrica. A chamada pretende, dessa forma, trazer ao centro das discussões pesquisas que promovam em seu bojo um deslocamento por meio da abordagem de uma das três dimensões referidas. Na dimensão espacial, serão priorizadas contribuições que contemplem autores, autoras e/ou obras pertencentes a outros espaços não europeus. Em relação à dimensão temporal, busca-se pensar a permanência de elementos medievais presentes na produção de outros períodos históricos, como é o caso do movimento neotrovadoresco no século XX, ou ainda a ideia de uma Longa Idade Média, como propôs Jacques Le Goff. E, no que tange à dimensão de gênero, interessa ao debate a visibilização dos ricos e variados escritos de mulheres nos diversos campos do conhecimento e seu alcance no período medieval e para além dele. Em suma, o dossiê pretende atrair contribuições voltadas para a produção, temáticas ou tropos que ficaram à margem do cânone da História da Literatura Ocidental no que diz respeito ao período medieval.

Organizadores: Guilherme Queiroz de Souza (Universidade Federal da Paraíba, Brasil); Luciana Eleonora de Freitas Calado Deplagne (Universidade Federal da Paraíba, Brasil); Ria Lemaire (Universidade de Poitiers, França).

Novo prazo para envio de submissões: 20 de agosto de 2020

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Edição Atual

v. 22 n. 1 (2020): Literatura e Retórica na Antiguidade Clássica

Na antiguidade clássica greco-romana, nada há expresso que justifique uma retórica literária ou uma literatura retórica. Se para a retórica, por meio de seus gêneros discursivos, a matéria é bem desenvolvida em termos de manuais, para a literatura eles escasseiam. O próprio termo literatura pode ser visto como anacrônico. Aristóteles já se debruçava sobre o problema de uma certa arte inominada (ἀνώνυμος, Poética, 1447b9). Ainda que a retórica gozasse de reputação não só entre os gregos, mas também entre os romanos, é forçoso admitir também que a literatura já era objeto de crítica. A República platônica, bem como a Poética e a Política aristotélicas, são exemplos de uma consciência literária bem desenvolvida no tocante ao seu objeto. A complexidade dessa crítica reflete-se sobretudo no termo utilizado pelos gregos ποίησις, que cobre não só a produção do que compreendemos hodiernamente por poesia, mas também as demais artes como a pintura, por exemplo. Parece não haver uma fronteira bem delimitada nem sequer entre as artes, já que o próprio Aristóteles utiliza, em suas comparações com os poetas, os pintores; nem sequer entre os tipos de poesia, não obstante as tentativas de delimitação que foram levadas a cabo pelos filósofos acima. Por outro lado, é inegável que citações de poetas são encontradas na Retórica de Aristóteles de forma abundante. O diálogo entre a duas esferas já se fazia por meio dos exemplos citados. Todavia, talvez seja no período da retórica romana, com Quintiliano, que certa consciência entre as fronteiras móveis da literatura e da retórica tenha sido pela primeira vez evidenciada de forma concisa. Em seu livro X, da Instituição Oratória, ele nos fornece a opinião de Teofrasto, de que “os oradores se valem muito da lição dos poetas” [Plurimum dicit confere Theophrastus lectionem poetarum, 27], “e a partir deles busca-se a inspiração nas coisas, a elevação nas palavras, todo o movimento nas afecções e a conveniência nas personagens” [... ab his in rebus spiritus et in verbis sublimites et in adfectibus motus omnis et in personis decor petitur, 27]. Não deixa ele, porém, de sugerir certa prudência ao orador, já que “os poetas não devem ser seguidos pelo orador em tudo, nem na liberdade das palavras e nem no excesso das figuras” [non per omnia poetas esse oratori sequendos nec libertate verborum nec licentia figurarum, 28]. Claro está que o problema se coloca na perspectiva da fronteira entre a Literatura e a Retórica. Fronteira que se quer móvel, sem delimitação precisa, cambiante. Diante deste panorama, propomos como dossiê o tema “Literatura e Retórica na Antiguidade Clássica”, com o intuito de promover ainda mais o encontro entre essas duas regiões. Por último, exortamos os colaboradores para que entendam o “e” copulativo do nome do dossiê como lugar por excelência entre essas demarcações. Organizadores: Marco Valério Colonnelli (PPGL/UFPB) e Ticiano Curvelo Estrela de Lacerda (UFRJ)

Publicado: 2020-06-17

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A REVISTA GRAPHOS é uma publicação do PPGL - Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal da Paraíba. Divulga, desde o ano de 1995, artigos inéditos de pesquisadores brasileiros ou estrangeiros, nas áreas de Literatura e Cultura, Teoria e Tradução. A partir de 2004, passou a ter periodicidade semestral. A GRAPHOS está avaliada pela CAPES com o índice Qualis B2