• Literatura e Retórica na Antiguidade Clássica
    v. 22 n. 1 (2020)

    Na antiguidade clássica greco-romana, nada há expresso que justifique uma retórica literária ou uma literatura retórica. Se para a retórica, por meio de seus gêneros discursivos, a matéria é bem desenvolvida em termos de manuais, para a literatura eles escasseiam. O próprio termo literatura pode ser visto como anacrônico. Aristóteles já se debruçava sobre o problema de uma certa arte inominada (ἀνώνυμος, Poética, 1447b9). Ainda que a retórica gozasse de reputação não só entre os gregos, mas também entre os romanos, é forçoso admitir também que a literatura já era objeto de crítica. A República platônica, bem como a Poética e a Política aristotélicas, são exemplos de uma consciência literária bem desenvolvida no tocante ao seu objeto. A complexidade dessa crítica reflete-se sobretudo no termo utilizado pelos gregos ποίησις, que cobre não só a produção do que compreendemos hodiernamente por poesia, mas também as demais artes como a pintura, por exemplo. Parece não haver uma fronteira bem delimitada nem sequer entre as artes, já que o próprio Aristóteles utiliza, em suas comparações com os poetas, os pintores; nem sequer entre os tipos de poesia, não obstante as tentativas de delimitação que foram levadas a cabo pelos filósofos acima. Por outro lado, é inegável que citações de poetas são encontradas na Retórica de Aristóteles de forma abundante. O diálogo entre a duas esferas já se fazia por meio dos exemplos citados. Todavia, talvez seja no período da retórica romana, com Quintiliano, que certa consciência entre as fronteiras móveis da literatura e da retórica tenha sido pela primeira vez evidenciada de forma concisa. Em seu livro X, da Instituição Oratória, ele nos fornece a opinião de Teofrasto, de que “os oradores se valem muito da lição dos poetas” [Plurimum dicit confere Theophrastus lectionem poetarum, 27], “e a partir deles busca-se a inspiração nas coisas, a elevação nas palavras, todo o movimento nas afecções e a conveniência nas personagens” [... ab his in rebus spiritus et in verbis sublimites et in adfectibus motus omnis et in personis decor petitur, 27]. Não deixa ele, porém, de sugerir certa prudência ao orador, já que “os poetas não devem ser seguidos pelo orador em tudo, nem na liberdade das palavras e nem no excesso das figuras” [non per omnia poetas esse oratori sequendos nec libertate verborum nec licentia figurarum, 28]. Claro está que o problema se coloca na perspectiva da fronteira entre a Literatura e a Retórica. Fronteira que se quer móvel, sem delimitação precisa, cambiante. Diante deste panorama, propomos como dossiê o tema “Literatura e Retórica na Antiguidade Clássica”, com o intuito de promover ainda mais o encontro entre essas duas regiões. Por último, exortamos os colaboradores para que entendam o “e” copulativo do nome do dossiê como lugar por excelência entre essas demarcações. Organizadores: Marco Valério Colonnelli (PPGL/UFPB) e Ticiano Curvelo Estrela de Lacerda (UFRJ)

  • Vidas escritas: autobiografias, memórias, diários, autoficções, romances autobigráficos, testemunhos, histórias de vida e biografias
    v. 21 n. 3 (2019)

    A partir dos anos sessenta do século passado, e especialmente dos anos de 1970, o estudo teórico e crítico da autobiografia experimentou um notável avanço nas literaturas ocidentais, concomitantemente ao crescente apreço que os leitores e autores demonstraram por esse gênero literário. Até então, havia sido um gênero subestimado (com exceção dos clássicos), que recebia apenas valor histórico e testemunhal. A ausência de uma definição específica e a falta de reconhecimento literário convertiam a autobiografia em uma “miscelânea”, em que se juntavam as obras estritamente autobiográficas com qualquer romance, poema ou drama que tinha, ou parecia ter, um conteúdo auto/biográfico. Felizmente isso mudou no último terço do século passado, quando, no âmbito anglo-saxão e, especialmente, na França, o estudo da autobiografia despertou uma atenção crítica e teórica. Apareceram os trabalhos de James Olney, John Paul Eakin, Georges Gusdorf e Philippe Lejeune, entre outros, e começou-se a reivindicar a “literariedade” do gênero, colocando-o ao mesmo nível que os demais gêneros de ficção. O empenho se destinava à especificidade da autobiografia, que a tornava única e diferente em relação a outros registros literários. Nesse sentido, Philippe Lejeune e seu “pacto autobiográfico” representaram uma contribuição decisiva. Assim, o dossiê “Vidas escritas: autobiografias, memórias, diários, autoficções, romances autobiográficos, testemunhos, histórias de vida e biografias” contribuirá para a pesquisa das “escritas de si” através da divulgação de trabalhos no campo da literatura auto/biográfica.

  • Poesia, revisão historiográfica e autoria
    v. 21 n. 2 (2019)

    Este dossiê objetiva reunir estudos que proponham uma revisão da historiografia literária brasileira, especialmente no que tange ao discurso poético. De maneira geral, este tipo de abordagem é delegada à reflexão sobre perspectivas históricas ou ao delineamento esboçado por algum historiador, quando não fica a cargo das fontes primárias no cotejo direto dos arquivos. Sem desconsiderar tais procedimentos analíticos, conviria também especular algo da constituição da persona autoral em face de tais expedientes de leitura, seja sua recepção historiográfica ou editorial em confronto com as fontes primárias, seja a visada nas primeiras edições ou nos respectivos paratextos: capa, prefácio, ilustrações, tiragens, dedicatórias, epígrafes e tudo mais que possa lançar outra luz sobre o assunto. Dessa forma, considerando que a poesia é, por excelência, o gênero literário em que a subjetividade mais se pronuncia, interessa investigar como o autor se fabrica a si próprio nessa instância, bem como os artefatos que manipula e que nem sempre são considerados por ocasião de sua leitura sistematizada, tanto no aspecto crítico quanto no historiográfico.

  • Leituras Literárias e Ensino
    v. 21 n. 1 (2019)

    O dossiê Leituras literárias e ensino reúne um conjunto de artigos que abordam questões sobre a leitura literária em ambientes de formação e mediação da leitura, seus desafios no século XXI e suas possíveis alternativas de solução. Dessa forma, os artigos que compõem esse número se originam da coleta de dados bibliográficos e∕ou de campo que analisam, descrevem e socializam conhecimentos em torno da relação entre literatura e ensino, leitura literária e formação de leitores, espaços e mediação da leitura literária, formação de mediadores de leitura literária. Além disso, amplia o espaço de diálogo para análises comparativas e críticas de documentos oficiais e políticas públicas; estudo de obras literárias correlacionadas a relatos de práticas de trabalhos que vão desde a leitura interpretativa da ilustração às propostas com diferentes gêneros; e discussões sobre as condições de produção, acesso, circulação e apropriação de conhecimentos e materiais de leitura literária.

  • Imagens da Mulher no Ocidente
    v. 20 n. 2 (2018)

    Este dossiê reune textos que discutem a representação da mulher na literatura ocidental. Os artigos tratam a mulher como personagem em obras de autoria tanto masculina quanto feminina e analisam criticamente como as identidades femininas foram construídas ao longo da história ocidental. O objetivo foi trazer ao debate como tais construções afetaram a maneira como a mulher escrevia sobre si tendo o peso do patriarcado influenciando sua criatividade, como escritoras romperam tais barreiras e apresentaram novas formas de se dizer mulher. Foi de importância fundamental abordar como, na atualidade, mulheres negras, indígenas, lésbicas e trans se inserem no espaço desta construção identitária e da teoria da literatura de cunho feminista. Responsáveis pelo dossiê: Profa. Dra. Karine Rocha (UFPE); Prof. Dr. Sávio Fonseca (UFRPE)

  • Cinema, Literatura e Transposições Interculturais
    v. 20 n. 1 (2018)

    A chamada para o presente dossiê, intitulado “Cinema, literatura e transposições interculturais”, previa a reunião de textos que discutissem as diversas relações entre cinema, literatura e interculturalidade em articulação com o potencial subversivo e desestabilizador das narrativas. Foram acolhidos onze artigos no dossiê, além de uma contribuição na seção “Outros”, que refletem as diferentes formações acadêmicas de seus autores, incluindo estudos literários – crítica literária e literatura comparada; cinema e literatura; estudos linguísticos de discurso; jornalismo; comunicação e linguagens; filosofia e psicanálise; psicologia social da arte; educação e mediação de leitura. Tal diversidade é sintomática do caráter interdisciplinar do dossiê e das múltiplas abordagens do texto literário e fílmico, que aqui se revelam através do conceito de adaptação, de tradução e intermidialidade; em abordagem comparativa com a psicanálise; em discussões que ressaltam o teor político dos discursos; enfim, em olhares que enfatizam o dado político, poético e intercultural do corpus discutido.

  • Utopias Medievais
    v. 19 n. 3 (2017)
  • Literatura Erótica
    v. 19 n. 2 (2017)
  • Literatura e Sagrado
    v. 19 n. 1 (2017)
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