Rever a colonização, reler a biopolítica, almejar o poder

os bandeirantes paulistas nas minas do Serro do Frio e Vila do Príncipe, Minas Gerais, 1702-1720

Palavras-chave: Brasil Colônia, Ancestralidade política, Biopolítica, Gesto pedagógico colonial, Herança cultural

Resumo

A visão das elites nacionais sobre os bandeirantes paulistas do século XVIII nas minas gerais é centrada na noção de vocação e missão para a construção de uma nação livre, politicamente moderna e progressista. Propomos uma releitura da função política dos bandeirantes na modernidade colonial capitaneada pela Coroa portuguesa e seu Governo-geral no Brasil em torno da discussão sobre biopolítica, poder disciplinar, poder e violência, autoridade e violação dos corpos. De maneira geral, a noção de gesto pedagógico colonial nos convida a rever as biografias sob outro viés histórico, o de submissão; de maneira específica, mostramos como os bandeirantes paulistas, porta-vozes ferozes da biopolítica metropolitana não apenas promoviam a colonização centrada na violência, mas criavam um modus operandi estruturador do jogo político autoritário, legado este ainda reverberado nos dias atuais. A partir de metodologia de pesquisa bibliográfica e documental, histórica e política (Foucault e Arendt), revelamos o intrincado jogo de intenções políticas entre bandeirantes e a Coroa portuguesa, marcado pela atuação social desses personagens, com múltiplos conflitos e interesses, em que a morte e o assassinato faziam parte do processo de forma corrente. O resultado do estudo mostra que a história colonial brasileira guarda profundamente em sua tradição política a confusão entre poder e violência, autoridade e violação, herdada culturalmente por capilarizados mecanismos da reprodução da biopolítica.

 

Biografia do Autor

Danilo Arnaldo Briskievicz, Instituto Federal de Minas Gerais - IFMG

Danilo Arnaldo Briskievicz é Doutor em Educação pela Pontíficia Universidade Católica de Minas Gerais. Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Temas Filosóficos pela Universidade Federal de Minas Gerais, mestre em Filosofia Política, também pela UFMG.

Referências

ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. 3.ed. São Paulo: Perspectiva, 1992.

ARENDT, Hannah. Sobre a violência. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1994.

FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. 6.ed. Rio de Janeiro/São Paulo, Paz e Terra, 2017.

BRISKIEVICZ, Danilo Arnaldo. A arte da crônica e suas anotações: história das Minas do Serro do Frio à atual cidade do Serro em notas cronológicas. (14/03/1702 a 14/03/2003). Porto Alegre: Revolução E-book – Simplíssimo, 2017.

HESPANHA, António Manuel. As vésperas do Leviathan. Instituições e poder político. Portugal – séc. XVII. Coimbra: Almedina, 1994.

LEME, Luiz Gonzaga da Silva. Genealogia paulistana. São Paulo: Duprat & Comp., 1903-1905.

MELLO, Christiane Figueiredo Pagano de. Forças militares na segunda metade do século XVIII. Rio de Janeiro: E-Papers, 2009 [E-book].

MONTEIRO, Nuno Gonçalo. Poderes municipais e elites sociais locais (séculos XVII-XIX): Estado de uma questão. In: O município português. Funchal: Centro de Estudos de História do Atlântico, 1998. p. 79-90.

PINTO, Luiz Antônio. Memórias municipaes. Revista do Arquivo Público Mineiro, Belo Horizonte/MG, n. VII, p. 939-962, 1902.

SILVA, Dario Augusto Ferreira da. Memória sobre o Serro antigo. Serro: Typographia Serrana, 1928.

SILVA, António de Morais. Diccionario da lingua portugueza composto pelo padre D. Rafael Bluteau. Reformado, e accrescentado por Antônio de Morais Silva natural do Rio de Janeiro. Lisboa: Officina de Simão Thaddeo Ferreira, 1789. 2 vols.

SILVA NETO, Casimiro Pedro da. Desbravadores do Brasil. Brasília: Sesc-DF, 2018.

Publicado
2020-11-18
Como Citar
BRISKIEVICZ, D. A. Rever a colonização, reler a biopolítica, almejar o poder. Sæculum – Revista de História, v. 25, n. 43, p. 128-145, 18 nov. 2020.
Seção
Dossiê: A nova história (bio)política: sobre as capturas e as resistências