Tecendo caminhos e experiências na construção política da intersecção saúde/cultura:

um olhar para o movimento de parteiras tradicionais do Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.2447-9837.2025.n20.73155

Resumo

O Movimento de Parteiras Tradicionais do Brasil (MPTB), criado em 2020 durante a pandemia da COVID-19, surge como um espaço de articulação e resistência, reivindicando reconhecimento, autonomia e políticas públicas que garantam sua valorização. A crise sanitária intensificou desafios estruturais, como o acesso a recursos institucionais e dificuldades no registro civil de bebês nascidos sob seus cuidados. Com uma abordagem metodológica fundamentada na educação popular e inspirada por Oscar Jara Holliday (2006), este estudo analisa as trajetórias e experiências das parteiras do MPTB, suas estratégias de luta e as possibilidades de construção de políticas públicas culturalmente sensíveis. A pesquisa destaca a intersecção saúde/cultura como um campo de disputa, no qual o reconhecimento das parteiras se insere em um debate sobre direitos, práticas ancestrais e a autonomia dos saberes comunitários. Conforme sugere Robbie Davis-Floyd (2001), as parteiras estão em constante negociação de suas identidades, redefinindo papéis e justificativas para sua permanência. Esse movimento de resistência reflete os desafios impostos pelo modelo biomédico dominante e a necessidade de fortalecer seus saberes em um espaço simbólico e político. As parteiras representam uma expressão significativa do patrimônio cultural brasileiro, e sua valorização deve ir além da incorporação ao modelo biomédico, promovendo espaços de compartilhamento respeitosos, transversais e cooperativos. O fortalecimento dessas práticas exige abordagens que respeitem sua autonomia, garantindo que seus saberes sejam reconhecidos como essenciais para a diversidade do cuidado materno e perinatal no Brasil.

PALAVRAS-CHAVE: Parteira Tradicional; Assistência Tradicional ao Nascimento; Políticas de Saúde; Cultura; Participação da Comunidade.

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Biografia do Autor

Nayara Rudeck Oliveira Sthel Cock, Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ

Pesquisadora, Doutoranda em Saúde Coletiva, Instituto de Medicina Social Hésio Cordeiro, Universidade Estadual do Rio de Janeiro (IMS - UERJ), Rio de Janeiro, Brasil.

Thayane Cazallas do Nascimento, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina, São José, SC, Brasil. 88103-2800

Pesquisadora, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC), Santa
Catarina, Brasil.

Raymonde Gagnon, Université du Québec à Trois-Rivières: QC, QC, CA

Professora Associada, Departamento de Obstetrícia, Universidade do Quebec em Trois-Rivières
(UQTR), Trois-Rivières, Quebec, Canadá.

André Luis de Oliveira Mendonça, Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ

Professor Associado, Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Instituto de Medicina Social
Hésio Cordeiro, Universidade Estadual do Rio de Janeiro (IMS - UERJ), Rio de Janeiro, Brasil; Coordenador do Grupo de Estudos Quilombo Amefricano.

Publicado

2026-04-09

Edição

Seção

Dossiê formas de desigualdade e políticas de direito e reconhecimento