A funcionalidade como dispositivo

classificações internacionais, práticas clínicas e políticas públicas no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.2447-9837.2026.n21.76302

Resumo

O artigo analisa a trajetória da noção de funcionalidade no contexto brasileiro, destacando seu papel como categoria central na interface entre saúde e políticas públicas. Partindo dos debates terminológicos sobre deficiência e incapacidade, examina a incorporação da classificação internacional de funcionalidade, incapacidade e saúde (CIF) e a criação do instrumento de funcionalidade brasileiro (IFBr) como ferramentas de padronização administrativa e clínica. A partir de uma etnografia realizada em um ambulatório de reabilitação físico-motora, o estudo descreve como a funcionalidade é mobilizada nas práticas de fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, articulando dimensões terapêuticas, burocráticas e estatísticas. Com base em uma abordagem socioantropológica e inspirada na praxiografia, argumentase que a funcionalidade não é um conceito neutro, mas um dispositivo biopolítico que organiza classificações, regula o acesso a direitos e governa populações. O artigo propõe, assim, compreender a funcionalidade como tecnologia de governo que conecta clínica, ciência e burocracia, redefinindo os contornos contemporâneos da deficiência no Brasil.

Palavras-chave: Funcionalidade; Deficiência; Reabilitação; Biopolítica.

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Biografia do Autor

Marco Antônio Gaverio, PPGBIOS/FIOCRUZ

Doutor em Sociologia, Fundação Oswaldo Cruz.

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Publicado

2026-06-29

Como Citar

Gaverio, M. A. (2026). A funcionalidade como dispositivo: classificações internacionais, práticas clínicas e políticas públicas no Brasil. Áltera Revista De Antropologia, (21), 1–25. https://doi.org/10.22478/ufpb.2447-9837.2026.n21.76302