O plano das subjetividades e interações sociais e sexuais em João Gilberto Noll: cartografias do corpo e do desejo em ruínas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2025v40n1.74911

Palavras-chave:

João Gilberto Noll. Subjetividades. Interação. Social. Sexual

Resumo

O romance A Fúria do Corpo, de João Gilberto Noll, propõe uma exploração radical da subjetividade contemporânea por meio de um narrador-personagem errante, sem nome ou história fixa, cuja identidade se dissolve em meio a deslocamentos urbanos, encontros fortuitos e experiências sexuais intensas e desprovidas de afeto. A narrativa investiga o plano das subjetividades líquidas, fragmentadas e instáveis, características do sujeito pós-moderno, conforme teorizado por Stuart Hall (2006). O corpo do protagonista torna-se espaço de inscrição de traumas e desejos, revelando uma sexualidade desviante, marginal e performativa, em consonância com os estudos de gênero de Judith Butler (1990). Ao desconstruir binarismos sexuais e afetivos, Noll propõe uma crítica à normatividade e aos modelos fixos de identidade. O erotismo, longe de ser libertador, aparece como expressão da solidão e da exclusão. A obra, portanto, articula as esferas do pessoal e do político ao evidenciar a precariedade da experiência humana em um contexto de desagregação social e afetiva. A prosa visceral e fluida de Noll constrói uma literatura de resistência, que afirma o direito de existir nas margens e nas fraturas do mundo.

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Publicado

2025-12-29