Animalidade e o estatuto colonial da biopolítica em “A menor mulher do mundo”, de Clarice Lispector
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2026v41n1.78670Resumen
Este artigo analisa o conto “A menor mulher do mundo”, de Clarice Lispector, publicado na coletânea Laços de família ([1960] 2016), considerando a articulação entre biopolítica, animalidade e colonialidade. Para isso, propõe um tensionamento do conceito de biopolítica de Michel Foucault (2018), relacionando-o com a centralidade da colonialidade na constituição da modernidade a partir de um diálogo com as contribuições propostas por Aníbal Quijano (2014a; 2014b), Walter Mignolo (2018; 2006) e Claudete Daflon (2022). Nesse quadro, o estudo examina a construção discursiva da personagem Pequena Flor, mulher pigmeia africana situada no limiar entre o humano e o animal. A análise evidencia como o olhar moderno-colonial transforma corpos racializados em objetos de conhecimento, curiosidade e consumo simbólico, operando sua redução à natureza e sua consequente desqualificação como sujeitos plenos. Ao mesmo tempo, demonstra-se que a narrativa desestabiliza tais regimes classificatórios ao expor seu caráter violento, histórico e contingente, tensionando os limites das categorias modernas e indicando a persistência de formas de vida que escapam às tentativas de controle e definição.
Palavras-chave: Clarice Lispector. Biopolítica. Animalidade. Colonialidade. Ecocrítica.

