O manto da noite e o intrincado jogo de viver com espécies companheiras no Chthuluceno
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2026v41n1.78793Resumo
O objetivo deste artigo é analisar o romance O manto da noite, de Carola Saavedra, a partir de perspectivas ecocríticas, decoloniais e multiespécies. Fundamentado principalmente nas reflexões de Donna Haraway, Anna Tsing, Stacy Alaimo e no perspectivismo ameríndio, propõe-se uma investigação sobre como o romance questiona o antropocentrismo e propõe novas formas de coexistência entre humanos e não-humanos no contexto do Chthuluceno. Procura-se demonstrar que a narrativa de Saavedra rompe com modelos tradicionais de romance ao subverter categorias como tempo, espaço, personagem e linguagem. Além disso, a obra apresenta figuras híbridas, como Caliban – personagem retomado de A tempestade, de Shakespeare –, e criaturas fantásticas, como o polvo colossal, que tensionam os limites entre ciência, mito e imaginação.Outro eixo central da análise é a releitura crítica da colonização da América Latina. O romance associa a violência colonial aos massacres históricos, ao apagamento das populações indígenas e às desigualdades sociais contemporâneas. A obra também recupera a noção indígena de Abya Yala, reafirmando saberes ancestrais e cosmologias que entendem a natureza como sujeito vivo, e não como recurso a ser explorado. Assim, a obra se apresenta como uma reflexão sobre memória, pertencimento, ancestralidade e sobrevivência coletiva em um planeta marcado pela destruição ambiental e colonial.

