O manto da noite e o intrincado jogo de viver com espécies companheiras no Chthuluceno

Autores

  • Mirian Sousa Alves CEFET-MG
  • Maria do Rosário Alves Pereira CEFET-MG

DOI:

https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2026v41n1.78793

Resumo

O objetivo deste artigo é analisar o romance O manto da noite, de Carola Saavedra, a partir de perspectivas ecocríticas, decoloniais e multiespécies. Fundamentado principalmente nas reflexões de Donna Haraway, Anna Tsing, Stacy Alaimo e no perspectivismo ameríndio, propõe-se uma investigação sobre como o romance questiona o antropocentrismo e propõe novas formas de coexistência entre humanos e não-humanos no contexto do Chthuluceno. Procura-se demonstrar que a narrativa de Saavedra rompe com modelos tradicionais de romance ao subverter categorias como tempo, espaço, personagem e linguagem. Além disso, a obra apresenta figuras híbridas, como Caliban – personagem retomado de A tempestade, de Shakespeare –, e criaturas fantásticas, como o polvo colossal, que tensionam os limites entre ciência, mito e imaginação.Outro eixo central da análise é a releitura crítica da colonização da América Latina. O romance associa a violência colonial aos massacres históricos, ao apagamento das populações indígenas e às desigualdades sociais contemporâneas. A obra também recupera a noção indígena de Abya Yala, reafirmando saberes ancestrais e cosmologias que entendem a natureza como sujeito vivo, e não como recurso a ser explorado. Assim, a obra se apresenta como uma reflexão sobre memória, pertencimento, ancestralidade e sobrevivência coletiva em um planeta marcado pela destruição ambiental e colonial.

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Biografia do Autor

Mirian Sousa Alves, CEFET-MG

Mírian Sousa Alves é Doutora em Estudos Literários pela UFMG. É professora no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens (POSLING) do CEFET-MG, no curso de Letras e nos cursos técnicos da mesma instituição. E-mail: miriansousalves@gmail.com.

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Publicado

2026-08-14

Como Citar

SOUSA ALVES, Mirian; ALVES PEREIRA, Maria do Rosário. O manto da noite e o intrincado jogo de viver com espécies companheiras no Chthuluceno. Revista Ártemis, [S. l.], v. 41, n. 1, 2026. DOI: 10.22478/ufpb.1887-8214.2026v41n1.78793. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/artemis/article/view/78793. Acesso em: 15 ago. 2026.