ESCREVIVÊNCIAS E A CONSTRUÇÃO DE ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO DO RACISMO E DO SEXISMO NA CLÍNICA PSICANALÍTICA
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2026v4n1.78711Resumo
O artigo discute os impactos subjetivos do racismo e do sexismo em mulheres negras, analisando estratégias de cuidado desenvolvidas em um ambulatório de saúde mental e em um grupo narrativo ligado à uma extensão universitária. Fundamentado na psicanálise, nas teorias interseccionais e na metodologia das escrevivências, o estudo busca compreender como essas opressões atravessam a constituição subjetiva e influenciam a elaboração do sofrimento psíquico. A partir de relatos clínicos, evidencia-se que experiências de discriminação racial e de gênero afetam sentimentos de pertencimento, autoestima e reconhecimento social. Os casos apresentados demonstram a importância de uma escuta clínica sensível às dimensões históricas e sociais do sofrimento, capaz de favorecer processos de nomeação, elaboração e ressignificação das vivências opressivas. Os resultados indicam que a articulação entre psicanálise, escrevivência e interseccionalidade contribui para a construção de práticas de cuidado que reconhecem as especificidades das experiências de mulheres negras, promovendo espaços de fala, resistência e produção de novos sentidos sobre suas trajetórias. Conclui-se que o enfrentamento do racismo e do sexismo na clínica exige uma postura ética comprometida com a singularidade dos sujeitos e com a não reprodução das desigualdades presentes na sociedade.
Palavras-chave: racismo; sexismo; psicanálise; escrevivências; mulheres.
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