QUESTÕES DE GÊNERO E RAÇA NA SAÚDE MENTAL BRASILEIRA
O MAL-ESTAR DE DONA ANA E SUA FAMÍLIA BRANCA
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.1887-8214.2026v4n1.78682Resumo
O artigo aborda a relação entre racismo e saúde mental nas políticas públicas brasileiras, a naturalização da violência contra a população negra e a política de embranquecimento da população. Objetivamos contribuir para o debate sobre a invisibilidade da mulher preta no campo da saúde, desmistificando a ideia de democracia racial no Brasil. Utilizando a fabulação crítica e a escrevivência, construímos análise interseccional, a partir da atuação profissional na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e de fragmentos da história de Dona Ana - mulher preta nascida no século XIX, que traz em sua trajetória vivências marcadas pelo racismo; e de sua família, que carrega as marcas da política do embranquecimento ainda hoje. Revisitamos situações em que o racismo e a discriminação aparecem nos serviços de saúde mental, concluindo que a Reforma Psiquiátrica Brasileira não ficou imune ao racismo estrutural perpetuado no País e que possíveis saídas para tal imbróglio devem incluir análise interseccionais, letramento racial e aquilombamento, buscando superação das desigualdades e iniquidades, em prol da efetivação dos direitos de todo e qualquer cidadão.
Palavras-chave: Saúde Mental; Racismo; Branquitude; Gênero.
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