De casa caiada a casa demolida
reformas urbanas, cortiços e a construção das classes perigosas no Rio de Janeiro (1880-1906)
Palavras-chave:
Reformas Urbanas, Pereira Passos, Classes Populares, Classes Perigosas, Rio de JaneiroResumo
Este artigo analisa as transformações nas habitações populares durante as reformas urbanas no Rio de Janeiro entre 1880 e 1906, com foco na remoção dos cortiços e na construção do conceito de "classes perigosas". As reformas, inspiradas nos modelos europeus de modernização, promoveram grandes intervenções no espaço urbano, como a abertura de avenidas e o alargamento de ruas, resultando na demolição de moradias populares no centro da cidade. Sob o discurso higienista e de ordem pública, milhares de trabalhadores pobres foram deslocados para áreas periféricas, favorecendo o crescimento das favelas. Paralelamente, as classes populares passaram a ser associadas à insalubridade, ao crime e à desordem, o que legitimou práticas repressivas e políticas de exclusão social. A noção de "classes perigosas" foi instrumentalizada pelo poder público para justificar a remoção desses grupos dos espaços centrais, consolidando processos de segregação socioespacial e marginalização. O controle estatal sobre a população pobre intensificou-se por meio de medidas higienistas, regulamentos urbanos e repressão policial. Dessa forma, as reformas urbanas não apenas redesenharam a paisagem física do Rio de Janeiro, mas também reforçaram desigualdades sociais históricas e aprofundaram a distinção entre os espaços destinados às elites e aqueles relegados às classes populares. O estudo evidencia que a modernização da cidade, embora promovida como um avanço civilizatório, esteve diretamente ligada à exclusão social e ao fortalecimento de mecanismos de controle estatal sobre os setores mais vulneráveis da população.
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Referências
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