ENTRE A VOZ E A ESCRITA:
À PROCURA DA RAZÃO POÉTICA EM MARÍA ZAMBRANO
DOI:
https://doi.org/10.7443/problemata.v17i1.78852Palavras-chave:
María Zambrano, Razão poética, Voz, EscritaResumo
O presente artigo analisa a crítica de María Zambrano à racionalidade ocidental, modelo pautado no logos e na razão lógico-matemática que secundarizou dimensões vitais como o corpo, a imaginação e a experiência sensível. Diante da cisão histórica entre razão e vida, investiga-se a "razão poética" zambraniana como uma proposta de reintegração dessas dimensões historicamente excluídas pela tradição logocêntrica. A partir desse horizonte teórico, estabelece-se um diálogo com Adriana Cavarero — via leitura do conto “O rei à escuta”, de Italo Calvino — para discutir a voz como manifestação singular da existência, avessa à lógica do controle. Por fim, examina-se como a escrita, em interlocução com Derrida, Merleau-Ponty e Blanchot, atua como experiência liminar e espaço de abertura ao real. Conclui-se que a crítica de Zambrano exige não apenas uma reformulação epistemológica, mas a emergência de novos modos de relação com a linguagem e de escrita filosófica.
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