Macabéa no caleidoscópio da vida
Subjetividade, existência e invisibilidade em A Hora da Estrela
DOI:
https://doi.org/10.22478/ufpb.2764-4251.2025.n2.77326Palavras-chave:
Macabéa, capital cultural, invisibilidade, existênciaResumo
O presente artigo analisa a personagem Macabéa, protagonista do romance A Hora da Estrela (1977), de Clarice Lispector, à luz do conceito de capital cultural desenvolvido por Pierre Bourdieu juntamente com os aportes de Heidegger, Jean-Paul Sartre e Raymond Williams, que se complementam na investigação. A investigação evidencia como a ausência de recursos simbólicos, educacionais e sociais delimita o horizonte existencial da personagem, restringindo suas possibilidades de mobilidade e reconhecimento social. A partir da narrativa conduzida por Rodrigo S. M., observa-se como a invisibilidade de Macabéa se manifesta não apenas na precariedade material, mas também na exclusão simbólica, que reforça sua marginalidade no espaço urbano. Além disso, discutem-se as implicações estéticas e éticas da escrita lispectoriana, marcada por tensões entre subjetividade e objetividade, vida e ficção. O estudo conclui que Macabéa representa a figura paradigmática da exclusão social e cultural, cuja trajetória lança luz sobre os mecanismos de desigualdade ainda presentes na sociedade contemporânea.
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Referências
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